domingo, dezembro 16, 2007

Lucy

Era um vez uma menina doce. Muito doce. Daquelas que quando a gente vê, derrete. Laços de fita e lentes cor de rosa. Falando assim parece que ela era um fresca. Mas não era. Ela era só doce. Suave. Levava a vida na flauta e ria pelos cantos. Tinha uma pegada leve sobre a areia. Gostava de criar teorias e padrões sob o luar. Era incrivel como ela penteava o mundo enquanto olhava as estrelas. A menina efêmera tinha sabor de bolo de chocolate.Era dessas pessoas que a gente nunca esquece. Sabe, as vezes, ela vem pedalando me encontrar. Nesses dias, o céu combina direitinho as suas cores. Tudo fica com cheiro de brisa. O som invade o mundo. E ela, me arrasta, suave como um beijo, para dentro de mim.




quinta-feira, dezembro 13, 2007

Garranchos Azulados


É melhor escrever - pra passar o tempo e a dor - derramar esse corpo cansado sobre papel. Quem sabe, virar poesia. Escorregar no amor de um novo leitor. Ou apenas se por pronta pra ser amassada e jogada fora com as contas do mês anterior. Um papel com garranchos azulados, escrito as pressas, sem muita importância. E uma música bonita que atrapalha ao fundo. Eu, parada, sem conseguir criar o meu mundo. Sozinha, coberta por algumas palavras sem sentidos. Reflexões bobas para uma quinta. Quarta. Sei lá, uma seqüência de dias que intimamente são os mesmos. Eu, em círculos, como numa trama malfeita de novela. A caneta falha. Opõe-se a transformação de poesia em vida. Ou vice-versa. Incontáveis folhas vão ficando azuis: mistura de lágrimas com a cor vulgar de bic roubada...

terça-feira, dezembro 04, 2007

terça-feira, novembro 13, 2007

Descanso


Solitária.

Deitada em um casulo pequeno.

Despovoada de esperança ou amores.

Ela, inteira. Ela, fragmento.

Uma por uma, isoladamente.

Sem choro, nem vela.

Apenas um corpo que aprende a caminhar só.

quarta-feira, outubro 31, 2007

O Gato


O GATO- 2006- [Acetato, nanquim e ponta seca] feito pelo artista O Silva



Lá estava eu, deitada na sua cama: Entreaberta para você.
Fazia poses de 5, 10, 15 minutos... E esperava que teu corpo desenhasse figuras abstratas sobre a minha pele. Ou quem sabe, um gato de nanquim sobre as minhas costas? Um gato desenhado com as suas unhas secas.

Mas a sua cama estava vazia de você... Eu até tentava, com a minha mão esquerda, puxar o que restava de ti: o cheiro, suor, cabelos e as suas segundas intenções. Eu queria ser a tua tela em branco. Você não estava na sua cama.

Você tinha lançado vôo para algum outro dormitório longe dali. Talvez tivesse saído para comprar tintas novas... ou comida para o gato que devia ter sido pintado sobre o meu corpo.

Enquanto isso, a espera dançava em na sua cama. Aquela cama vazia, com o lençol que continuava branco e sem pedaços de você. Eu, deitada, sem os meus desenhos e com uma esperança tola.

Esperança de um dia, virar ponta seca e furar o teu corpo, a tua cama e matar esse gato imaginário que grita nas noites de calor.

domingo, outubro 21, 2007

Prazo de Validade


Sabia que ia ser rápido, afinal você era daqueles amores perecíveis. Tipo orgânico: alto e tesudo. O ultimo pedaço do bolo de chocolate. Esses que devem ser consumidos logo que se abre a embalagem, porque senão vem outra e come. Eu comecei pelas beiradas, lambendo a cobertura com gosto. Devorando aos poucos, sem muita pressa e saboreando tua boca carnuda. Parte por parte, da minha refeição favorita: homens como você. Acho que foram umas 7 ou 8 mordidas em noites espaçadas, ou seja, pouco tempo pra ficar de barriga cheia. Talvez tenha sido esse o meu problema, o meu enorme apetite.Quis te comer aos poucos, um pedaço por dia. Mas o teu prazo de validade era curto. Muito curto. Você gosta de ser devorado por bocas diferentes diariamente, já eu gosto sempre do mesmo prato. Então foi isso, um dia, virei para o lado, e outro gato já tava comendo o meu pedaço de bolo.

Minhas Fugitivas




Sou acostumada a caminhar despercebida por um certo jardim azulado. Ele é um daqueles jardins que são regados pela ambigüidade e pela loucura. Um jardim de Alice, onde tudo pode mudar em segundos. Permeado por subidas e decidas rápidas, e quedas quase instantâneas, eu sigo patinando naquela imensidão. Às vezes me questiono porque esse jardim é assim, tão anil... Talvez seja pelo excesso de lagrimas. Ou pela falta de razão. Por que por mais coloridas que sejam aquelas flores, há sempre um tom azulado que insiste em destoar na minha caminhada? E eu vivo seguindo por esse jardim. Encontro flores bonitas, mas fugitivas, no azul. Elas gostam de rir e acariciar suas pétalas sobre as minhas pernas, enquanto me cantam musicas antigas. Mas basta, eu tentar pegar uma delas em minha mão, pra que rapidamente elas corram pra o outro lado. Quando eu vejo, elas já mudaram de rotas e de visitante. Simples. Quase cotidiano. São as minhas flores fugitivas. Que passam de mão em mão. As vezes tenho raiva, ódio, inveja dessas florzinhas malditas! Tenho vontade de arrancá-las uma vez por todas do meu caminho. Matar uma a uma. Florzinha, por Florzinha. Cometer um Florescídio! Não ia sobrar flor nenhuma no meu jardim! Apenas aquele céu anil que me embebeda. Mas o problema é que eu nasci assim, apaixonada por fugitivas. Sou dada à beleza e a forma efêmera que elas dançam enroscando seus caules com meu corpo cansado. E quando raiva passa, o perfume das flores ficam sobre a minha pele. Elas gostam de envenenar o meu coração. A suavidade presente nas flores são disfarces para mastigar e destruir os visitantes desavisados, como eu. Por isso, em cada nova caminhada pelo o meu jardim azulado, tento tampar o nariz e fechar os olhos, para não perder o foco. É preciso andar na ponta dos pés e fugir das fugitivas. Aprender a conviver com o medo de acabar assim, sem a beleza da primavera.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Um cálice sujo na beira da mesa

Restos de vinhos jogados pelo chão... E eu sobrando no cálice, esperando tua mão. Sei que estou com uma rachadura e com muitas marcas passadas ... Ando assim, desajeitada, calada, encostada na beira da mesa. Olho de mansinho pra baixo, morrendo de vontade de pular. Pular no seu pescoço, te amarrar na minha vida , te deixar sem saida. Eu, um cálice transparente, sujo de vinho tinto no fundo. Estou esquecida na beira da mesa. E você boceja alto, se entrega a um sono profundo e manda uma mensagem qualquer para uma outra mulher. Suja de cíumes na beira da mesa. Sei que pulo não tem volta, que ele só pode ser dado uma vez. Mesmo assim me atiro, e começo a voar devagar. Não para o seu pescoço, pois esse já foi embora à francesa, mas para um chão de tacos imundos. Lá estou eu, em mil pedaços! Laquinhas de vidro pra todo o lado! Quebra-cabeça de mim mesma. Fiz um estrago, um som maravilhoso e agora, apenas espero seus aplausos sobre a minha queda-livre. Quem sabe assim, em forma de mosaico, eu chame a sua atenção? Vai, junta os meus pedaços. Pedaços sujos de vinho e cíume. Tenta me remontar. Ou então, pega uma lasca, a mais afiada, e me leva contigo. Para noites de solidão, você me ter como arma branca nas tuas mãos...

terça-feira, outubro 02, 2007

Choques instantâneos de realidade.

para ler escutando o cd “Outra Estação” do Legião Urbana

Meus choques instantâneos de realidade aparecem de repente, assim, sem mais nem menos. Mesmo sem nenhum convite, eles insistem em bater na minha porta. Às vezes na hora do almoço, no despertar de um sonho bobo ou dentro de uma lona de circo empoeirada. Eles chegam por todos os lados, são seguidores astutos. Costumam se entrelaçar no meio de uma noite suja qualquer, depois de algumas doses a mais ou ervas a menos . E se aproximam devagar, chegam de mansinho, como se fossem bichos que arrastam em direção a minha loucura. Eles tentam sugar o equilíbrio que conquistei as duras penas. Querem se apoderar do meu corpo, beijar a minha boca, fazer amor com a minha razão. Os choques de realidade são muitos, e dão medo. Tento escapar bebendo mais um copo, escorando em alguém que está do lado, dando uma risada sem graça. Tudo desnecessário. Eles continuam querendo entrar. E é logo em mim, que tenho os olhos cansados de ver o real. Ando inebriada na minha loucura, na fuga necessária, na minha incompatibilidade com o mundo. Eu, ser inapto. Desses que anda rindo desesperadamente pelos bares, na corrida por algo efêmero como o amor. Quero sair desse lugar frio, impuro e sujeito a esses choques de realidade. Preciso correr pra longe, um lugar que a vida não é apenas... e sim, poesia amanhecida na beira do lago.
* texto feito em 30.09.07

quinta-feira, setembro 20, 2007

?!

"Desculpe, querida! Mas o AMOR não tem ÉTICA!"

Disse ela, a outra, enquanto esmagava mais um pobre coração de rival...

domingo, setembro 16, 2007

Vênus em Aries


Não gosto de pausas. Nem de três pontos. Ou desse tempo que se busca uma certeza sobre algo que nasce incerto. Eu simplesmente detesto o discurso pronto, revisado e sem nenhum erro de português. Prefiro me deliciar com rimas soltas, poesias sem sentidos e principalmente frases corridas, que nascem sem vírgula ou respiração. Quando você vê, ela já se perdeu pelo mundo... Eu sou acostumada com poemas e amores improvisados, esses que nascem e morrem instantaneamente. Talvez por culpa da minha carência, que insiste em criar vínculos imaginários, ou da minha tendência suicida, que se atira sobre corpos efêmeros na tentativa de torná-los especiais. Se eu me perco, é pra tentar me encontrar. Uma tentativa, um risco e um pulo. Rabisco letras soltas por ai, pra quem sabe um dia, encontrar alguém que ligue as letras, desligue os três pontos e me leia inteira!

quinta-feira, setembro 13, 2007

Enormes Óculos



Uma pausa e a falta de coragem de olhar de frente. Como uma adolescente no meio do furacão, onde as cores se misturam e eu me sinto preta e branca. Passo tardes ansiosas, andando de um lado para outro, de óculos escuros. Os meus óculos são enormes, verdadeiros escondedores de alma. Eles disfarçam as noites mal-dormidas que passo pensando em algo que me torne mais interessante pra você. Um papo-cabeça. Uma tinta nova no cabelo.Uma cara mais blasé. Eu, no meio do furacão, de óculos escuros. Essas lentes que não apenas escondem sentimentos, mas que servem também, para fitar você de rabo de olho. De mansinho, a meia luz e com uma esperança cega. Mas você passa sem graça e não me vê... Esse nosso silêncio que insiste em falar, dizer coisas sem sentidos, enquanto eu suspiro calada. A espera, a sensatez, a calma, todas essas que dançam entre as minhas mãos, enquanto eu sucumbo graças a um maldito Vênus em Áries! Uma vontade louca de te agarrar pelos cabelos e bagunçar a sua vida! E pra completar, ao som do B.B.King, essa lua em libra, que grita urgentemente a necessidade de ter o seu corpo junto ao meu. Eu, uma boba de óculos escuros, no meio desse furacão! E tudo isso apenas, pra tentar conquistar...você!

?!

A minha vida se resume em: Chocolate, Vinho e B.B.King...rs

sexta-feira, setembro 07, 2007

Ton sur Ton




Palavras presas na minha boca, poemas que devem ser escritos, uma confusão de sentidos que pulsam, enquanto escorre sangue entre as minhas pernas e sobre o teu lençol. Ton sur ton. Eu perdida entre tantos vermelhos... Batom, peruca, salto alto e... sangue! Muito sangue pra lavar e benzer o nascimento de algo novo. Algo tão eterno quanto o agora! Algo que não se fala, que se confunde ou se esconde sobre a margem de uma razão caduca e antiquada.Um medo bobo que dá de querer voar e cair de cara no chão. Besteira. Bobagem. Pra que pensar nisso, quando tenho tão perto de mim a loucura que é sentir seus lábios carnudos sobre a minha pele cansada? Mistura de sentidos. Cheiros, gêneros, oposições astrológicas e, sobretudo conjunção de corpos! Não só os celestiais, mas os nossos, esses que se adaptam muito bem, um ao outro! Talvez seja o ascendente em comum ou simplesmente as cores que combinam. Ton sur ton. Tenho vontade de derramar não apenas sangue, mas litros de palavras suspiradas que pingariam gota a gota sobre o teu corpo libriano... Essas minhas palavras bobas, efêmeras, fugazes que correm o mundo atrás de poesias como você.

sábado, setembro 01, 2007

sábado, agosto 25, 2007

O amor odeia clichês


Noite de sexta-feira, sozinha no meu quarto, de banho tomado, tento escolher um entre todos os meus vestidos preferidos: Qual daria mais sorte, o branco de bolinhas pretas ou o preto de bolinhas brancas? Sigo com a dúvida cruel até o telefone, que toca desesperadamente. Esboço um sorriso. Será que é...? Bem que podia ser hoje! Bem que podia ser agora! Um amor novinho em folha! Um amor imaturo...Desses que transformam as calçadas em nuvens... É a minha mãe! Quem poderia ser? Também que idéia, alguém já viu amor fazer chamadas por telefone?! Parece que ele nunca chega na hora certa... Agora, por exemplo, que eu estou toda perfumada, escutando jazz e pronta para me entregar! Mas não, esse danado do amor costuma sempre chegar antes do momento esperado. Sabe naquele momento em que você acabou de se filiar ao partido das solteiras convictas e quer sair por ai, beijando todas as bocas? Então. Lá está ele, batendo na sua porta! Mas ai já viu, estamos ocupadas demais com a nossa liberdade e nem percebemos a visita. Ou então pior, ele chega bem atrasado. E te encontra assim, amarga, desconfiada, cheia de olheiras... Sem coragem de apostar! O amor então dá meia volta, volver! Egoísta, esse meu amigo... Não espera a nossa certeza. Ele é assim: apressado. Ou você segura ele, ou ele demora muito a passar. Às vezes passo meses procurando o amor, mas ele se esconde bem. O amor é como tesoura de unhas, nunca está onde à gente pensa. Fico aqui, pensando, quantas vezes eu fiquei hipnotizada por um babaca a festa toda, enquanto o amor estava ali, olhando diretamente pra mim, me chamando para dançar. Sabe ultimamente, ando acreditando que o amor está em todos os lugares, eu que não sei procurar direito. Ele pode está até aqui, lendo essas bobagens que eu escrevo... Imprevisível. “Mas será que o amor prefere o branco de bolinhas pretas ou o preto de bolinhas brancas?”

?!

Na dúvida: fico comigo!

quinta-feira, agosto 23, 2007

Paraíso Comprimido



Abro a minha mão, e ele está na minha palma.
Redondo, com desenho estranho e de gosto forte.
Em minutos, gosto já foi substituído pela ilusão...
Dentro da minha boca, o pequeno fica gigante!
Ele se dissolve rapidamente no meu corpo,
Mistura a alegria e o veneno...
E em poucos, descubro o paraíso efêmero!
Tenho a musica dentro de mim!
Sua batida é a minha pulsação.
E danço com o meu prazer.
O mundo está nas minhas mãos!
Me abraço, me beijo e me esfrego
Não nego, não canso e apenas danço!
“Tum, tum, tum, tum”
Bate a onda na minha cabeça,
Ou talvez seja o meu coração?
Percebo que o amor está na veia...
O suor está no chão.
Eu, aqui, imersa na minha fuga.
Comprimida no paraíso efêmero,
Percebo que o prazer resolveu parar de dançar
Que o mundo foi dar uma volta,
e que eu preciso de mais um comprimido pra voar!



Poesia velha[20/11/2001],da época que se comprava a felicidade em um pequenino formato. Época que os amores eram descartáveis e o mundo individual! Ainda bem que hoje em dia, somos todos tão diferentes...rs

quarta-feira, agosto 15, 2007

Iludida Vida

Te visitei hoje. Tinha tanto tempo que eu não te via. Aliás, eu me esforçava para sumir quando sabia que você ia aparecer. Saia de mansinho, bebia mais um gole de cerveja e dançava com quem tava do lado. Fazia questão de fugir de mim mesmo... Mas hoje era dia de visita. Mesmo com o coração ainda de luto, eu quis te ver! Quis pensar em você, nesse alguém, que nunca existiu. Parece loucura, visitar alguém que não existe. Mas sabe que hoje, te vi por ângulos novos. Você está mais bonito, e pela risada parece que está mais feliz também. Bateu até aquela saudade besta, aquela que mareja os olhos. Saudade do meu namorado inexistente! Um moço que passou por aqui apenas para destruir o meu coração imaturo. Uma imagem torta, uma percepção errada, movimentos precipitados e... Acabei despedaçada! Raiva. Amargura. Talvez um pouco de inveja também. Sentimentos impuros de uma mulher que visita o inexistente." É preciso destruir a ilusão de um talvez ou a lembrança boba do dia que imaginei que podíamos ser algo" - repito diariamente. Como posso ter tanta mágoa de alguém que nem existe? Porque tantos sonhos perdidos e caixas de chocolate devoradas? E me vejo calada, solta na noite, andando sem ninguém. Muitos braços, falta de abraço. Bocas secas sem paixão. E alguns corpos que nem me atrevo a tocar, porque sei que não consigo lavar a podridão que eles acompanham. Prefiro ficar só, passeando de um lado para o outro. Pra que pular de casa em casa, se não posso encontrar morada? São nesses dias, depois da visita, que fecho os olhos e escuto um jazz rouco. Eu, vestida de vermelho florido, danço dentro de um pequeno bar antigo, um visual sépia de um filme europeu da década de 50... Há um sorriso puro na minha boca e os meus lábios sentem o sabor antigo da esperança... Suave. Lindo. Pegada leve... Mas tudo passa rápido. Como você, a ilusão que criei. A realidade sempre bate a porta. Eu já nem sei onde estou! Ando repetindo palavras, comportamentos, sentimentos. Mas sei que não sou mais a mesma. Pra que visitar alguém tão distante? Talvez para fugir desse vazio, da minha poesia fraca, a necessidade idiota de parecer ser algo que não sou ou a luta incansável de tentar segurar lágrimas. Será que vale a pena? Rasgo de vez o seu endereço, coloco o jazz na vitrola, pinto os meus lábios de vermelho e sigo em busca da ilusão da vida real.

terça-feira, agosto 14, 2007

Papel de Boba

É bobo, imaturo e ridículo. Mas que fazer? Quando eu vi, já estava no meio de uma peça infantil e vocês dois, de mãos dadas, eram os grandes protagonistas. Não sei ao certo, se era peça infantil, ou drama, ou sei lá o que...Só sei, que pra mim, não tinha a menor graça toda aquela cena!
Justamente nesse momento do espetáculo, que percebi o meu insignificante papel de atriz coadjuvante no meio da sua palhaçada. Tenho que admitir que foi triste, que quis agarrar-te pelos cabelos e dar um soco na primeira atriz. Mas já era tarde demais, a diva já tinha levado a peça, o meu ator e o animo de continuar ensaindo um textinho medíocre que elaborei pra tentar te conquistar. Impossibilitada de agir, tive que largar a minha máscara de mulher poderosa e deixar os dois continuarem a cena sem mim. "Ce la vie" - pensei com o meu nariz de palhaça e sai do teatro com a certeza que daquela peça, eu não faria mais parte.

sábado, agosto 11, 2007

Ao meu desconhecido




Ando me exibindo por ai, para rostos anônimos que correm as ruas sem esquinas. Mostro pedaços soltos, letras miúdas, rimas perdidas... Ando tão menina! Longe do medo, coberta por uma esperança boba que me abraça, eu sigo pela praça! E lá vou eu, rebolando a minha poesia solta pela calçada. Os meus passos tentam prestar atenção em cada número que se apresenta e, ás vezes, no meio de tanta face diferente, eu acabo perdida nas minhas entre-quadras. Sabe, nunca fui boa em matemática! E quando me vejo assim, no meio dessa confusão, fecho os meus olhos. E de repente: tudo acontece! Ultimamente, eu costumo sonhar com o desconhecido! De cara velada, ele me pega pela mão e me arrasta para longe... Suspensa! E vai me guiando para um lugar onde não preciso mais pisar no chão, segurar os meus pertences e muito menos me preocupar com números chatos. Ele me faz rir, fazendo cócegas no meu ego inflado e me deixa assim: curiosa e exibida! Eu tento manter os meus olhos fechados e busco uma pista qualquer que me leve ao seu esconderijo. Um desconhecido íntimo. Anônimo. Misterioso. Mas de repente, meus olhos já estão abertos e sopram a realidade a minha face: “Quando a gente não sabe onde pisa, é sempre melhor ficar de letras caladas.”

quinta-feira, agosto 09, 2007

domingo, agosto 05, 2007

Entre as duas mãos


Talvez não seja só carencia,
Ou aquilo que chamam de saudade.
Pode ser algo mais:
Como a falta da sua juba loira.
Ou a beleza não-efêmera do seu olhar.
Ou então, apenas a falta do barulinho da sua risada rouca.
Talvez não seja apenas vontade de te abraçar,
te contar os meus anseios bobos de menina,
Ou de criar poesias enquanto comemos pão de queijo.
Pode ser uma imensa falta da tempestade que você cria na minha cabeça.
Do desejo que insiste em se misturar com a amizade...
De querer comer maçã em plena tarde,
Experiementar uma saia rosa e sair de mãos dadas,
Nós duas, à procura de versos soltos no mundo!

segunda-feira, julho 30, 2007

Entre a Espera e a Procura:




Solta, entregue ao acaso. O meu corpo balança, oscila, dança num medo constante de procurar... Talvez por ter procurado em demasia. Um corpo ativo, pulsante, pedindo movimento. Um tormento! Porque que a Espera não compreende o ritmo do mundo? Parece tão segura, suave, madura. Fingindo estar parada. Olhando de longe, ela até lembra a calma, mesmo escondendo o seu apressado coração na boca.
Diferente da procura, essa mulher ativa! Caçadora nata, que vive por um segundo e sai numa busca desesperada ! Parece uma menina... Dessas que correm com o vento e tem alma de fogo. A minha Procura não gosta do tempo e está sempre a ponto de devorar!
Eu procuro... Eu espero! Esperar procurando ou procurar esperando?
Entre as duas: a corda bamba. A dúvida de não vir e a esperança de chegar num mesmo corpo solto. Ou Tenso. Tensão.Temor. Talvez... E tudo tem um equilíbrio instável. É como o segundo que antecede o pulo do gato. Tudo está aqui, pulsando. Será que corro para pegar ou espero chegar aqui?
Eu me (des) espero!

sábado, julho 28, 2007

Olhos de Serpente



Todos os dias, eu lembro de você. E como se você fosse uma praga. Praga teimosa. Sabe dessas pragas que matam a gente lentamente? É você. Você e seus olhos. Uma doença incurável. Vem cá, porque eles me seguem, em ? Me olham, me focam, me seduzem? Um veneno doce que eles fazem questão de introduzir lentamente no meio das minhas pernas bambas e cansadas. Esses seus olhos de serpentes. Eles chegam se arrastando, dançando com o meu corpo, me envolvendo, subindo entre as minhas coxas lisas e vão lambendo a minha dor. Por mais que eu tente empurrar , morder, gritar para os quatro cantos o quanto eu os odeio. Eles continuam me visitando. Uma visita quase diária, rotineira e incansável. Com uma musica, um recado, uma dor no peito, uma ligação inesperada... Isso quando não parece furtivamente no meio do meu espelho vermelho retorcendo a minha imagem. Esses olhos perversos que atravessam o meu corpo e meu juízo. Quando eu os vejo perdido,ou a procura de sua presa, eu, eu tento virar o rosto. Fugir pelos cantos, pelas frestas. Mas eles são como um imã. Um vicio. Simplesmente um vicio. O vicio dos olhos de serpente. Que atraem, sugam e destroem a mente de presas desprotegidas que vagam as ruas sem esquinas ou ilusões.

Encontro com o mar



Espero o nascer do sol,

Para buscar o caminho do mar.

Molhar as minhas mágoas,

Na tentativa, enfim, de te lavar.

Caminhar em novos passos,

Esquecer antigas pegadas,

Surfar uma nova onda,

Nadar para ser encontrada.

Pela maresia doce,

Trocarei o seu cheiro forte

Navegarei com o meu cavalo marinho,

A seguir pelas noites do norte!

Quero mergulhar no acaso,

Enterrar você na areia.

Limpar o nosso marasmo,

Conversar com a sereia...

O espelho vai para ela,

Minha querida Iemanjá,

Pedindo para eu te esquecer

E de novo, a mim, voltar.

Bissexual






De tanto destilados,

acabei do outro...

Sra. Esperança Teimosa




Sopro pra longe a minha esperança
( Essa que já está cansada)
Por que sei que a gente se perdeu
( Sei, mas não aceito)
E do pouco que fomos
( E muito que imaginei)
Só sobrou ela e eu...

Clichês Mofados





São 3 horas da amanhã, EU ME SINTO MAL... Talvez eu tenha bebido demais para uma quarta feira, ou melhor, quinta. Por saber que amanhã nesse mesmo horário eu estarei também nesse mesmo estado... ou pior! Porque amanhã eu vou querer me acabar, fingir que sou a mulher mais feliz do mundo e que sou muito, MAIS MUITO BEM COMIDA. Mas depois que o show terminar (porque eles sempre terminam! ), as lagrimas estarão escorrendo do meu rosto cansado. Nesse nosso teatro a gente NÃO RECEBE APLAUSOS, no máximo um amasso ou possíveis tapas na cara. Disso eu já to cheia. Amanhã, essa hora, estarei perdida. PERDIDA EM QUALQUER CANTO DA CIDADE por não ter tido alguém que me chamasse para conversar, pegasse no meu cabelo suavemente, me desse um colo macio, dizendo : Eu gosto de você! Alguém que SIMPLESMENTE CONSEGUISSE BEIJAR O MEU CORPO sem ter medo do que isso possa representar depois de amanhã... Alguém assim, como você parecia ser para mim.É fato, eu bebi de menos! E agora estou aqui, nessa merda de computador escrevendo esses CLICHÊS MOFADOS como uma menina carente, rosada e boba! Boba por não querer ser ajudada, não mandar esse sentimento para o inferno e NÃO TER CORAGEM de se por novamente disponível. FODASSE TUDO QUE IMAGINEI, a realidade é outra e eu sou ESPERTA DEMAIS para saber que o nosso tempo já acabou! Foi curto, insuficiente e destruidor. Serviu para saber que eu AINDA SOU INGÊNUA O BASTANTE para me atirar de cabeça em relações inseguras. Ando grandinha para andar na corda bamba... Bosta! Queria um copo de wodca agora. Ou um abraço que me tirasse desse lugar... Não acredito que fui lembrar, justo agora, daquela musiquinha melodramática do Arnaldo... SABE A NUMERO 4 DO CD PARADEIRO? Merda, merda, merda!Eu sei, tudo podia ser mais fácil se eu fosse pelo menos razoável. Se eu não pensasse mais em você a cada subida na ponte, se eu fosse madura o suficiente para não falar de você, com brilhos nos olhos, para os outros. E principalmente se eu CONSEGUISSE MATAR A MINHA ESPERANÇA QUASE INFANTIL DE UMA POSSÍVEL VOLTA IMAGINÁRIA... Sim, eu deveria ser razoável!

Montanha russa



Sempre fui acostumada em fazer promessas de ano novo. Dessas que a gente insiste em fazer e dificilmente cumprir. Todo dia 31 de dezembro, pego meu lápis, papel e corro para a minha janela de sonhos. Nessa passagem, depois de reavaliar todas as metas, percebi que tinha esquecido de uma. Uma meta muito importante, talvez muito gasta, mas essencial: Encontrar um amor.

Sou uma mulher que ama demais, que se apaixona instantaneamente, que se atira de cabeça. Eu queria morrer de amor. Uma mulher montanha russa. Ou roleta russa. Um amor rasgado, gritado, onde se faz loucuras, tatuagens, juras... Um amor maior que eu.
Eu e minha montanha russa: subidas, descidas, voltas assustadoras. E a cada passageiro que entrava, eu trilhava o mesmo caminho de amor. Talvez por não conhecer outro caminho, ou por não acreditar que o amor possa ser algo calmo, sereno e previsível .

As pessoas não gostam de andar muitas vezes na montanha russa. A gente dá uma, duas, três voltas. Depois não queremos mais. Ficamos enjoados, casados, irritados. A altura provoca vertigem e preferimos seguir pela a segurança dos pés no chão. È difícil ser amado demais! A gente tem medo de não retribuir, de machucar o outro, de ser tudo fogo de palha. Voltas, subidas, descidas e sempre parando no mesmo ponto: o amor com a eternidade de uma borboleta.

Nesse ano novo fiz uma promessa diferente: vou desfazer trilho por trilho, aposentar o carrinho e vender a montanha russa para o ferro velho. Em troca, vou comprar um barquinho à vela, desses que são guiados pelo calmo vento...

Ame o seu Útero e seja feliz!




Circuncisão reduz à metade Aids em homens
“ A circuncisão masculina reduz pela metade o risco de contaminação de homens pelo vírus da Aids, o que pode prevenir centenas de milhares ou até milhões de casos, disseram pesquisadores na quarta-feira.”
Por Will Dunhamhttp://newsbox.msn.com.br/


Fui surpreendida por essa noticia hoje cedo na pagina do MSN. Fiquei feliz pelos circuncidados, eu já era fã deles mesmo sem saber disso. Sempre tive uma queda , achava mais bonito, interessante, arrojado! E agora sabendo que são mais seguros então... Devem estar pulando de alegria e se enfiando em tudo que canto. Deve ser muito legal saber que eu, homem circuncisado, tenho 50% menos chances de pegar AIDS. Fora todas as outras doenças! Isso significa que eu posso me arriscar mais. Gozar da vida livremente. Optar por uma transa sem camisinha e mesmo assim ter uma vantagem. Deve ser maravilhoso!Já, nós mulheres, por sermos mais fechadas, intimas e porque não aconchegantes estamos no prejuízo. A gente recebe feliz todos aqueles hospedes apresados, que passam correndo entre a nossa caverna escura. E amiga, estamos mais vulneráveis por tanta hospitalidade. As paredes na nossa casinha são menos espessas, do que o nosso amigo intimo Sr. Pinto. Somos mais amplas, espaçosas. E para piorar já foi comprovado que há mais que o sêmen contaminado pelo HIV tem maior concentração de vírus do que a nossa pobre secreção vaginal. Estamos com mais uma desvantagem biológica.Eles, circuncidados. E a gente recebendo de pernas abertas. Cada hora que passa tem mais mulheres contaminadas no mundo. Principalmente as que tem parceiros estáveis. O que fazer? Sim, podemos obrigar o nosso amiguinho vestir a camisinha. Colocar uma placa : Só entra vestido! Mas na pratica nem sempre dá certo. Muitas de nós tomamos pílulas, namoramos há muito tempo (o que, diga-se de passagem, não garante nada!) e achamos que a gravidez é o nosso maior problema. A camisinha às vezes é vista como um objeto incômodo e desnecessário. Tanto por eles quanto por nós.Quantas vezes ele já te pediu para transar sem camisinha, Querida? “ Rapidinho, não vou gozar dentro”. Isso quando já não vão entrando, todo intrometido, mexendo os pauzinhos! E nós, temos que ser fortes e impedir a visita tão esperada! Não quero que isso pareça uma matéria moralizadora e que condenando as mulheres que transa sem camisinha! È um conselho de amiga, de companheira mesmo. Mês passado, uma conhecida, teve que tirar o seu útero. Úterozinho, desses que você também tem um igual. Ela teve câncer no colo do útero causado pelo HPV, uma doença que só manifesta danos em mulheres. É. Talvez eles estejam realmente em vantagem, mas ação é conjunta. A responsabilidade é nossa. Somos as maiores vitimas. É uma merda, uma sacanagem divina, eu sei. Mas ou a gente cuida do nosso corpo e exige a roupinha básica para a entrada no salão. Ou espera as conseqüências. A Solução está entre a nossas pernas. Mas amiga, ame a sua vagina, seu clitóris, seu útero do que um qualquer pintinho.

Arrumando a Casa




Visita 1

Já no primeiro momento, na virada da rua esperança, eu o convidei para dentro da minha casa. Ele não tinha certeza se queria entrar, e mesmo assim eu o convenci. Tentei uma carinha doce, choraminguei um pouco e pedi o seu colo. Esse era dengoso, ou parecia ser. Puxei o moço calmamente pela mão, abri a porta e pedi para que ele limpasse os seus pés. Eu pedi apenas para que ele limpasse os seus pés sujos de lama da sua ultima caminhada. Ele tentou até, passou rapidamente os pés no meu tapetinho azul piscina enquanto eu o arrastava correndo para que conhecesse o meu lar. Ele foi deixando pegadas de lama pela casa... Eu nem percebia, estava tão ansiosa, queria mostrar todos os cômodos da casa! Na primeira parada, eu o apresentei para o meu grande armário. Abri gaveta por gaveta e fui entregando poemas misturados com por do sol. Mas no meio da minha entrega apressada, ele tropeçou nos seus próprios pés sujos. E olhou para toda a sujeira da casa feita pelos seus sapatos. Olhou, de rabo de olho, para inquilina aqui e saiu correndo! Sem que eu pudesse dizer: Espera! Desde desse dia, eu tento todas as manhãs apagar as suas pegadas dentro da minha casa. Eu esfrego com muito sabão feito de razão e derramo litros de lagrimas desiludidas para lavar. Esfrego, esfrego e esfrego. Sempre fica um restinho de lama, um borrado amarelo, no meio da casa. Isso quando eu não descubro uma pegada nova! Ele pisou em lugares que eu nem imaginava... Hoje depois da minha limpeza diária, vou ao um supersamba, procurar um novo produto, desses que apagam pegadas encardidas...

Visita 2

A minha casa tava uma pouco bangunçada e eu ainda não tinha conseguido limpar umas antigas pegadas. Já tinha até usado doce de abóbora como diluente rápido... Mas o meu esforço foi em vão. Um dia desses que a gente não quer sair da cama, escuto a campainha. Ao abrir a porta, fui rendida por um ladrão. Não era um ladrão qualquer. Era um ladrão conhecido. Um bandido que sempre invadia a minha casa quando eu estava carente... Sempre que recebia sua visita, ele roubava a minha esperança, destruía meu ego e rasgava as minhas roupas. Mas mesmo passando por tudo isso, eu abria a minha casa para ele. Carente, esquecia de olhar no olho mágico e quando via, ele tava lá. Às vezes entrava pela janela e me pegava sonolenta... Bagunçava tudo que via pela frente...Nesse dia, ao entrar, ele amarrou as minhas mãos por trás do seu pescoço, beijou a minha boca, começou a roubar o que era de costume até que achou uma caixinha preta. Perguntou o que era aquilo, eu rapidamente disse que era o que eu tinha de mais valioso. Ele sem nenhuma duvida levou a caixinha com ele e seguiu o seu caminho. Mas lá, dentro da caixinha, estava o meu medo da solidão, esse que sempre o chamava para me bagunçar. Agora não há mais medo de ser só. Agora é só ser! Depois desse nosso ultimo roubo, eu desci a minha escada feliz, troquei a fechadura e fui arrumar a casa!

Vazios


Refluxo


Fluxo ( do Lat. fluxu, s.m ):

  • enchente fluvial;
  • o espraiar das onda;
  • aquilo que corre, que escorre;
  • curso de qualquer líquido;
  • corrimento;
  • abundância;
  • corrente;
  • transitório;
  • fluido, de pouca duração.

Eu, no meio do fluxo, perdida. Sem saber se devo me jogar nessa minha corrente... A vida! Ando aquosa ultimamente, coberta de lágrimas... Encontro-me, enchente! Jogada no meio desse grande mar. Embalada por dores freqüentes, sem saber para onde nadar. Medrosa e esperando que o espraiar das ondas tragam coisas novas, e arrastem o resto de você. O pouco que pulsa aqui dentro de mim. A única coisa que pulsa. O resto que rasga. As águas que cismam em escorrem do meu rosto. Essas que não são mais misturadas com a sua saliva, que não tem o seu colo como prêmio. Quero que elas arrastem...Esperar o espraiar das ondas para que me leve... E que leve esse fluxo embaraçado de sentimentos, culpas, receios e desilusão. A dor de não ter conseguido te afogar nas minhas águas. De não ter seu corpo comigo... Quero que você escorra de mim! Já que não posso, e nem devo, pedir para que você escorra em mim. Para que siga o curso comigo. Que entre no meu fluxo. Que corra do meu lado. Não... Seria inútil. Eu já fui lavada de você, por você. O seu rio já virou chuva dentro do meu corpo. E mesmo que eu junte gota por gota, não há mais como te transformar, te convencer ou te reconquistar.Talvez eu deveria seguir fluxo, transitar para o lado certo, correr por outras pedras, seguir outros rumos. Ser tão fluida como você. Ser efêmera. Ser leve. Ser contemporânea. Talvez quando o espraiar das ondas passar, levará o pouco que pulsa em mim. O pouco que resta de você. E a intensidade que sobra em mim...

Intensa (do Lat. Intensu adj):

  • que tem intensidade;
  • que atua com força, com energia;
  • intensiva; forte; energética.

Vento...Eu.



Eu só devia ser vento,
pra mudar a direção facilmente
para conhecer outro mundo
para não ser soprada por você pra longe.

Devia ser vento,
conhecer todas as frestas,
todos os gostos,
todos os jeitos.

Vento que vive em instantes,
que levanta a saia da moça
e beija suas pernas.
Devia ser assim , vento safado!

Devia voar solta ao redor do mundo.
balançando cabelos, roupas, folhas!
Vento, só vento!

Se eu fosse vento não tava aqui...
sofrendo por ti!
Já tinha te esquecido,
te perdido pelo mundo.
Eu ei de ser vento,
ir embora de vez,
cansar do talvez e
me perder em seguida!

Doses Homeopáticas



Primeiro te sugo,
em doses quase homeopáticas
prendo você no meu corpo
quero enlouquecer!

Vou sentindo cada gosto
a minha boca seca
quero teu prazer...
Uma fome ...
Uma fome não sei de que?
Fome de você!

Tudo é tão devagar
e vai me devorando aos poucos
vou te beijando
e sentindo o mundo!

Tudo fica lindo, lerdo e louco
Me sinto na lua !
Os sentimentos surgem
Amor, sou sua!

Grades Medrosas

Grades que não protegem o medo,
Jaulas que trancam as emoções.
Querer ser feliz em segredo?
Só por medo de aparições...
A angustia está na cabeça,
a vida no coração!
Minhas asas voam mais alto,
enquanto há capitalistas na prisão.
Eu corro, me arrisco e caio.
Gozo a liberdade das ruas,
Entrego as posses aos seguranças,
E faço careta para camera.
Saio louca e hippie,
a procura do que fogem...
Me abraço ao acaso,
e sinto o vento no meu corpo.

aquilo que se deseja



Considero o desejo uma palavra mágica e muito gostosa de falar. É uma coisa meio libidinosa que dá uma sensação de frio na barriga e de conquista. Quando eu penso em desejo já sinto a minha boca salivando. É muito difícil para mim, desassociar a palavra desejo do ato de querer. Querer é algo tão estranho também... Lembro me de quando eu era criança e queria bonecas. Sempre que ganhava uma boneca nova, brincava com ela até cansar... isso significava uma ou duas semanas no máximo! Depois já estava desejando outra... Hoje as troquei por pessoas! Anseio pessoas o tempo todo e as mais diversas... Mas continuo querendo o que não posso. Sempre! Como se fato de não poder impulsionasse ainda mais o desejos. Talvez venha da infância, ou da sociedade capitalista, ou talvez do simples fato de ser um humano. Querer, e querer só o que não se possui. Tenho que admitir que eu ando num momento em que possuo poucas coisas, e ando desejando muito. Ah, os meus desejos escusos... A coisa mais bela que eu posso é a minha esperança, que mesmo cansada, ainda me move em busca das sonhadas conquistas. Sabe, eu passei um bom tempo adiando para escrever esse texto porque não sabia como escolher o primeiro desejo a ser tirado do meu baú. Na verdade não sei direito quais são esses anseios, o que realmente eles quererem e como movem o meu mundo. Às vezes eu não sei direito quais são mais importantes dentre tantos que existem aqui dentro.
Numa tarde chuvosa, eu abri delicadamente a caixa e passei muito tempo vasculhando o meu mundo de desejos. Havia de tudo por lá: desejos antigos que se perderam pelo meio da vida, alguns escondidos e envergonhados, já outros bem escancarados que foram gritados de peito aberto para os quatro cantos do mundo... Ai, alguns desejos que se despedaçaram ao serem realizados... E mil desejos de menina, imaturos, que por mais que eu tente arrancar dali com uma força sobre humana, eles persistem teimosamente só para me irritar. Alguns desejos bobos e até, porque não, capitalistas. Outros imensos, subjetivos e cheios de peculiaridades. E até o maior deles: o TEATRO. O teatro é uma mistura de desejo, sonho, divindade, esperas e realidade. Um desejo diário, sempre reforçado. Quando eu penso no teatro, percebo o quanto outros desejos ficam tão pequenos, efêmeros e superficiais. Casamento, pessoas, sucesso, grana... Tudo isso é tão pouco perto do prazer em estar no palco. Talvez esse seja o meu verdadeiro amor universal! Fazer amor com mil espectadores... Comunicar com o outro através da minha poesia verbal corporal... Movimentos, vozes, sussurros... Tudo com uma entrega verdadeira e intensa. Tem como ter maior orgasmo? !

Ditado popular

SER PEDRA É MUITO FACIL...
O DIFICIL É SER VIDRAÇA!!!!!

Epifania sabor doce de abóbora

Lá estava eu, mais uma vez, entre lagrimas por mais um amor perdido. Suplicava que o vento me levasse a um lugar onde essa água toda secasse dos meus olhos e o branco dos dentes imperasse novamente.Eu já estava naquela fase onde a tristeza já perdeu a sua beleza para assumir o lugar da chatice. Eu tava um porre! Não agüentava mais fazer aquele papel da mulher desiludida e carente. Eu tinha que agir e o mais rápido possível.

Pensei em colocar cicuta no Whisky dele, mas isso daria muito trabalho e não melhoraria a minha dor. Então decidi que a missão seria me abrir para o mundo. Lavei o rosto, escondi as lágrimas com maquiagem e fui para a ponta do precipício. Sai decidida em encontrar aquilo que tinha sido tirado de mim. Influenciada pelo Caio Fernando de Abreu, repeti inúmeras vezes: “Eu quero uma epifania! Eu quero uma epifania! Eu quero uma epifania!” Eu tinha esquecido do poder das palavras que ecoam pelo mundo!

Respirei algumas vezes antes de entrar na floresta para escolher a minha presa da noite. Ao chegar na pista, coloquei o meu sorriso de 1,99, ativei o meu super-ultra-puxa radar “procura epifanias” e comecei a distribuir gracejos para todos os que estava numa distância mínima de cinco metros. Depois, devido o meu ascendente libra, comecei a minha dura avaliação: “Hum, esse é bonitinho, mas me parece tão metido..”, “ Esse não, conhece todo mundo”, “ Aquele dança bem...”, “Ah, figurinha repetida não!”.

Até que olhei pra frente e vi um rosto interessantemente desconhecido. Devia ser novo por aqui. Talvez tivesse acabado um namoro recente, mudado de tribo ou trocado de cidade. De certo, eu nunca tinha visto. Era deliciosamente desconhecido. Ou melhor, tudo que eu precisava! Dou algumas olhadas, distribuo outros sorrisos e saio da pista.

“Se ele quiser vai vir atrás de mim!”. Na hora da conquista é importante saber a hora de desaparecer dos olhos do outro. Criar o mistério de uma possível volta. Vou para o bar com a minha amiga, pegamos uma bebida para que as outras opções da festa ficassem mais interessantes. Talvez ele fosse tímido ou não tivesse afim. E eu precisava pular de algum precipício naquela noite!

Mas como passe de mágica ele aparece do meu lado. Descubro e me revelo: Signos, paixões e teatro. Algumas coincidências. Ele não é daqui, apenas está. È o meu signo complementar, mora num paraíso e tem um olhar intrigante. Voltamos para pista e depois de alguns segundos, percebo que o coloquei na parede e estou preste a roubar um beijo. Ele tem um sorriso lindo! E de repente, quando as palavras já me faltam, eu sinto o gosto: Hum, doce de abóbora! Ficamos ali, os dois, entre desejos, doces , beijos e descobertas...

O tempo passa rápido, a noite se despede apresada e eu tenho que entregá-lo de volta para o seu mundo. Queria você mais um pouco. Mais uma noite. Mais um encontro. Outros segundos com mais alguns segredos e entregas intensas. Sabia que o único movimento feito pela a mão que não me agrada é o tchau? Troco o meu adeus por um até logo. E caminho com a lembrança, a entrega sem medo e o encontro sem máscaras. Ficou um anel para ele, uma flor amarela pra mim. Algumas promessas, muitos desejos...Quem sabe amanhã ou outro dia qualquer ele reapareça para fazer uma turnê em meu palco. A paixão como sinônima do teatro: intensa, efêmera e bela! Ah, minha epifania sabor doce de abóbora...

Minhas águas...





Às vezes me vejo como o mar: inexplicável. Essa mistura toda de sentimentos que nadam aqui dentro de uma maneira tão intensa e viva que não tenho palavras pra dizer. Por algum tempo, posso ser calma, serena e tranqüila. Pronta pra ser navegada. A espera de um pequeno barco, para que esse conheça todas as minhas frestas. Outras vezes tão agitada e furiosa que nem um submarino teria estabilidade. E muitas, muitas vezes, batendo as minhas ondas na areia com uma violência absurda, repetindo o movimento incansavelmente para que saia de uma vez toda a dor que tem dentro das minhas águas. Ah, elas estão especialmente frias hoje.
Gélidas.
Tristes.
Feias.
Poluídas.
Quando me vejo assim, tenho uma vontade deixar o meu corpo solto em busca de outras águas... Escutar cantos de sereias diferentes. Solta, entregue ao meu acaso. A Espera de outros encontros. E quem sabe ser abraçada por cardumes imensos e colorido.... Ah, esses cardumes! Peixes, tubarões, baleias , araias... Todos dançando uma ballet em volta do meu corpo, me fazendo esquecer das águas passadas. Posso ser bela como mar novamente: buscar o olhar de todos a partir do meu colorido, do meu brilho e dos meus movimentos sinuosos. Mostro muita coisa que não sou, e tendo a superfície modificada, a minha profundidade disfarçada, eu posso afogar banhistas despreocupados. Conquistar nadadores. Encontrar piratas. Encantar marinheiros.
Quem sabe, eu não possa até fazer um acordo político com sol e prometer dias bem melhores! Encher as minhas praias de gente, sobre tudo, casais apaixonados. Esses que deixam pegadas na areia e encontram lugares mágicos escondidos! Tudo acompanhado por uma brisa leve e um som que terei o prazer de sussurrar em seus ouvidos. No fim do dia, irei presentear um por do sol e com a linda chegada da lua. E ficarei lá, mar, observando a poesia humana entre o meu vai e vem das ondas...

Pagina Virada


Soltar o lápis.
Parar de desenhar.
Admitir a perda.
A Volta, procurar!

Hora do ponto final,
A frase acabada.
Não a porque rele-la
Já foi registrada.
Agora sim, pagina virada!

Na calma me reconstruo,
Sem atropelar uma linha.
Dando tempo ao tempo:
Vejo, eu, pagina novinha.

Meu corpo vai ser tela,
Tintas novas, outras cores.
Das formas abstratas,
Hão de nascer novos amores.

A espera de um novo risco,
Fico aqui a me pintar.
Cores, letras e rabiscos,
Pra de novo Poemar!

Falta

Falta (do Lat. *fallita < fallere, enganar substantivo. feminino.,) – acto ou efeito de faltar; escassez; carência; defeito; erro; pecado; culpa; engano; descuido; calúnia. Hoje acordei com uma falta de você. Falta de algo que não é meu, e nunca foi... Uma falta! Engraçado sentir falta de algo que não é meu, algo que não temos... Quer dizer, na verdade, só existe a falta porque não possuo! Se você tivesse aqui, a falta não estava! Deve ser chato ser uma palavrinha que só é dita quando não se tem algo... Palavra sem graça! Toda vez que a gente fala, dá uma agonia: falta amor, falta dinheiro, falta vergonha na cara, falta comida, falta de sono... aiaiai...FALTA! Como uma coisa que falta, traz tanta ansiedade? Engraçado porque nunca utilizamos a palavra falta para coisas ruins... Você não vê a pessoa reclamando: “Olha, falta violência na cidade!”, “ Poxa, como falta mentira no mundo!”. É! Acho que problemas, já temos demais, nunca falta! Não, só sentimos falta de coisa boa! Será que você era uma coisa boa então?! Talvez se você tivesse aqui, eu nem sentisse falta... Parece que a falta faz com que a gente valorize mais as pessoas, que as idealize, que as ame! Quando não temos em nossas mãos, não vemos os defeitos. Como é fácil amar longe! Sem brigas, apenas lembranças!Eu me lembro de cada coisa...Acho que é a carência! Carência tinha mesmo que ser sinônimo de falta...Que palavrinhas!!! Não dá nem pra chamar de palavrão! Palavrão tem o seu valor, é forte, imponente! Já essas, Deus me livre! Mas voltando as lembranças, engraçado como a memória é amiga intima da falta! Ela faz lembrar só de coisas boa! A imagem é sempre mais bonita: amores perdidos, lugares passados, viagens antigas... Tudo toma uma proporção mágica! O ser humano só quer o belo, este, está sempre longe! O que adianta a beleza se não posso tocar? Mas se toco, se tenho, já não me é escasso! A GENTE SÓ QUER, O QUE FALTA! Sinto muita falta ultimamente... porém, a falta de sono acabou! E vou deixar o texto assim mesmo, faltando um pedaço...como eu.

 * carente – (adj. 2 gén.,) que carece; necessitado; falto; falho.

Para a minha ilusão perdida

Fiquei triste. Num momento você tava aqui, no outro já não estava. Tinha desaparecido, igual um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.Para onde foi tudo aquilo? Que eu tinha tão seguro. Não sou eu, você também. Você me convenceu disso, lembra? Disse que eu era ideal! Que tinha todas as qualidades necessárias... Eu lembro! Memória de atriz.. Não estávamos tão certos ? Para onde foi, hein?! Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta no meio de tanto espaço.

Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Alias acho que a segunda opção é mais apropriada, tenho que admitir que não esperava isso. Ou até esperava, mas não queria ver... Afinal você insistiu tanto para mudar seu apelido, Sr. Perigo. Me desespera saber que uma coisa assim, um dia desses, possa desaparecer com tanta facilidade. Tantas horas conectados, scraps e afins... Sempre ouvi dizer que o mundo virtual é uma farsa, mas o nosso virtual demonstrava tanta certeza... Alias acho que certeza não é uma palavra muito utilizada por você, não?

Como já te disse, estou triste; e isso me faz acredita no poder das cartas. Não só as do tarô, que me avisaram que isso não ia dar certo desde o começo, e eu teimosamente, quis acreditar em você. Mas falo das cartas escritas, mandadas ou não mandadas. Ou bloggadas aqui, para que talvez um dia você entre e leia. Essas, cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num português polido, soando que eu seja uma pessoa sensata e que não sou essa imatura aqui.

Você deve está se perguntando: Qual é o poder dessa carta? O que ela quer com tudo isso? Simples: que deixe registrado este meu estranho e confuso momento. Por sentir frustrada por mais uma perda, mesmo sabendo que você nunca foi meu. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios. Procurando respostas que não vão ser encontradas.
Não sei se você sabe, afinal duramos tão pouco, mas não gosto de perder as minhas coisas. Nem as minhas ilusões! E hoje, cercada da sua ausência, procuro o que devo procurar. Experimento, de novo, o desanimo da busca desiludida. Pois se algo que parecia tão mágico e certo pode se acabar assim, será que vale a pena procurar outro? Será que é inteligente apostar tudo de novo? Se jogar da maneira que me joguei? Será?

Talvez você nem vá ler isso, pos está seguindo a sua vida tranqüilamente, como se nada de importante tivesse acontecido. Mesmo porque só foi importante para mim, no fundo, só fui mais uma das suas tantas. E provavelmente, se estiver lendo essa carta, está me achando uma dramática e boba.

Mas sabe, quero deixar bem claro que não sinto raiva de você! Alias essa é uma das minhas certezas. Ter raiva de você tornaria esse momento muito mais fácil! Seria como uma mola propulsora da minha vingança! Iria te xingar, querer acabar com a sua vida e torcer para o seu fracasso como o futuro amor. Porém não tenho raiva! Talvez por saber que amor , companhia e respeito não se cobram. E eu não podia te obrigar a me amar. Nem que desse certo. Por mais que tenha a minha consciência limpa que fiz o possível pra isso, e você sabe!

Ah, não precisa se preocupar, não estou esperando uma resposta pra essa patética carta. O que estava esperando era uma resposta pra as poesias, as musicas e o por do sol que foram doados por mim a você... Mas esses você já me respondeu, alias por isso eu escrevo a carta. È, essa é uma daquelas cartas que não é pra ser respondidas. Apenas lidas, talvez relidas e depois picadas em pedacinhos. Mas como está postada não poderá fazer isso, apesar desse ser o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

Mas caso essa fosse uma carta, e vc tivesse a ponto de rasgar tudo o que senti e ainda sinto, por me achar exagerada de escrever essas asneiras aqui, iria te pedir uma coisa. Se algum dia, tendo fumado demais ou bebido, sei lá, você acabasse escolhendo, entre a sua coleção, pensar em mim. O que já seria uma honra. E meditando tolices como essas, escrevesse também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você iria dizer, sei que ela faria de mim menos ridícula. Pois adoraria que você fosse capaz de escrever uma carta pra mim. Eu ficaria , enfim, feliz por ter quase te amado. Eu ia achar que te toquei de alguma maneira. Um homem assim, capaz de escrever bobagens também quase amorosas. Seria maravilhoso!

Então é isso, a carta chega ao fim. Como sou insuportavelmente romântica, meu deus! Termino aqui a essa nossa estória, de minha parte, contando que essas simples palavras façam jus ao fim dessa grande ilusão que senti por você. E deixando esse testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.

Te(Me) Descobrir





Vou te descobrir,
Me despindo pra você.
Esperando o seu toque,
Pra mostrar os meus porquês.

Encontrarei outras cores,
Cheiros novos pra te envolver...
Tudo com fina calma,
Prolongando o que há de ser.

Vou achar novos apelidos,
Dizer juras no ouvido,
Acreditar num pra sempre com você!

As palavras que não existem...
Vou deixar meu corpo falar!
Entre poemas e rimas:
Te ouvir e me entregar!

Mostrar o meu mundo,
Os defeitos profundos,
A minha eterna alegria:
E dividir, com você, sonhos de padaria!

Entre pernas e braços:
Ler te em braile com atenção.
E entre nascer e por do sol,
Buscarei levar a sua vida pela minha mão.

AMEAÇA



Olho daqui de cima,
O mágico mundo daí de baixo
Talvez idealizado pelo nível superior,
Encoberto da espera de um novo amor
Te vejo no meu onírico mundo:
Imagem clara dentro do espelho d’água
Parece-me limpa, nítida, pura e rara!
Eu...Aqui em cima...Em meu trampolim!
Respiro mais um segundo,
Antes de me render ao ameaçador impulso.
Desejo de saltar, corpo pulsando, medo na garganta,
O frio na barriga de uma possível futura entrega!
Os pés ainda plantados nos azulejos azulados,
Buscam a razão, pouca, que me resta.
Uma musica suave entra por uma fresta.
Abalando ainda mais um corpo bambo.
Suspiro...Olhando de rabo do olho,
Os movimentos lá de baixo!
Quanto mais os meus olhos vêm,
Mais o corpo se desprende e ameaça lançar vôo!
A vontade não passa!
Procuro a calma, a suavidade da espera,
O necessário tempo do nascer da flor!
" Ô, Menina desmiolada que se atira em poças procurando mar,
Menina olha direito! Vê se não vai de novo se machucar!"
Frases soltas vêm à mente,
Dos medrosos que me rodeiam.
Julga-me carente pela coragem do meu arremesso
Nunca pularam tão alto!
Não sabem o gosto do vento,
Suas palavras sussurradas,
Nem o frio da espinha ao ser jogada!
O corpo já voltado pra frente,
A espera apenas de um passo,
Vê a vista pela ultima vez,
A delicia do risco de dar certo!
E como num grito: me solto no ar!
Já não pertenço ao trampolim,
Deixo o meu corpo cair levemente
A espera dos seus braços enfim!

Espera

Mais uma noite fria, meu corpo gelado. Um silencio na casa, tudo parece estar parado...menos eu, que bato numa acelerada e desritmica agonia... Essa espera, essa ânsia, essa angustia... E nada acontece. Pego o telefone, respiro uma, duas, três vezes e coloco no mesmo lugar. Espero mais uma vez que ele toque, que faça qualquer som. Que seja engano, mas que ecoe uma voz qualquer,mesmo que seja tão desafinada como a minha. Vejo me sozinha. Será que algum outro corpo procura o meu nesse momento?! Silencio. Repenso na vida,nas coisas importantes que preciso fazer: contas no banco, o dinheiro que não entrou, o carro que tá uma merda, minha dieta, consertar a luz que queimou ...Modernas futilidades normais! Levanto da cadeira, e pego a minha vodca com sorvete. Adoro vodca com sorvete, é uma maneira gostosa de satisfazer a minha vontade de sair da realidade e sentir o gosto doce da vida! O sorvete derrete na minha boca e engana o amargo da vodca. Associo aos beijos e toques suaves do estranho de ontem, que tinha em sua a mente apenas transar comigo. Lembro-me bem de ontem, do corpo estranho que me entrelacei, uma intimidade desonesta. Não, eu não te conheço! Mesmo te conhecendo, ainda és um desconhecido. Assim como não me revelo a ti, você é apenas imagem torta pra mim. Tocava no seu liso cabelo, beijava sua boca carnuda, tentava sugar sua alma. Queria redescobrir algo meu ali: a ESPERANÇA. Mas não podemos esperar certas coisas, de certas pessoas, em certas circunstancias. Enquanto o meu intimo estranho dormia ao meu lado, agarrado no meu corpo incomodado por não se adaptar naquilo tudo, eu percebia a carência inerte em nós dois. Uma simples troca de favores que tenta suprir falsamente a necessária entrega, para depois saímos um em cada direção. Lançados no mundo com a nossa liberdade. Na superficialidade frívola da contemporaneidade. Olhava aquilo com uma certa melancolia, porque sabia que não era isso que esperava das relações humanas. Nem eu, nem ele. Posso ser muito contemporânea, se eu quiser... Mas essa não é minha visão de mundo! Não queria ser mais uma peça desse jogo idiota, mas eu nunca me vi tão vulnerável ! Volto para a minha sala, estou na segunda bola de sorvete. Já são 2 horas da manhã, tiro uma carta de tarô. Penso seriamente em pegar o meu carro e ir pra o samba mais perto e encontrar alguém! Alguém que me veja, alguém que queria enxergar o feio em mim. Percebo que não adianta fugir de mim, porque a espera pulsa comigo.

Auto Suficiente


AUTO SUFICIENTE

EM ALGUMAS NOITES SOLTAS
DEDILHO MEU CORPO, SOZINHA!
ME DESNUDO INTEIRA
PENSO BESTEIRA
E ENTREGO-ME A MIM!

AS MINHAS MÃOS SE LANÇAM SOBRE O MEU CORPO,
PROCURANDO O ENCONTRO DE LUGAR PARA ME REDESCOBRIR.
ELAS PERCORREM CAMINHOS ANSIOSOS
DANÇANDO UMA MUSICA LENTA E CONSTANTE.

COMEÇA A MINHA BUSCA SOLITÁRIA
TENTO ALCANÇAR SÓ : DESEJOS E ENCONTROS!
QUE NEM MEUS DEDOS, CORPO E CABEÇA
SABEM O QUE SIGNIFICAM ENFIM.
EU, VAZIA DE SENTIDO E CHEIA DE MIM!

VASCULHANDO MEU TÚNEL PERDIDO
PROCURO ME ENCONTRAR!
SÓ, SOZINHA, SOLITÁRIA, SOMENTE...
MEUS DEDOS PERCEBEM E DESCOBREM
O QUANTO SOU AUTO-SUFICIENTE!

O ENCONTRO DO EU SOBRE MIM.
CONSEGUINDO A FOME SATISFAZER.
TROCA DOS DIÁLOGOS POR MONÓLOGOS
ONDE NÃO VISO MAIS VOCÊ !

AGORA SOU SÓ EU E DEDOS
VIVENDO O EGOCENTRISMO DO MEU MUNDO
NUMA NOITE SOLTA QUALQUER
ONDE SE VIVE EM SEGUNDO

Eu só exito se alguem me olha...




Espero que você me leve para algum lugar:
Resolva problemas, supra anseios, acalme angustias e sacie desejos.
Quero que você me encontre.
Peço, imploro, rogo pela tua aparição.
Você me tornando real para que eu exista no mundo.
Só existo quando você me olha.
Me olha agora? Me vê?
Às vezes eu não existo.
EU - NÃO – EXISTO!
Me olha, vai. Me vê...
Sou um devaneio de deus.
Encontro-me apagada.
A espera de um olhar.
Quero existir!
Quero ser a vista de alguém.
Um olhar profundo de serpente.
Decifrando minhas entranhas
Entregar o feio, meu grotesco, meu receio
A escondida emoção embaixo da pele.
Quero que me revele, que vele o meu corpo,
Quebre a apreciação e me carregue em suas mãos.
Mergulhando em água.
Romântica, virei atriz.
Procurando estar em cena: doar-me a você.
Ver e ser vista!
Talvez porque me quero viva.
Hoje mais do que nunca, percebo que só vivo por você.
O palco é o meu vazio.
Meu lugar de encontro.
A vida é uma farsa...
E nós não nos relacionaremos.
Eu me vejo: sonhos, esperanças, expectativas.
Esqueço de você.
Não te olho, você não me vê.
Enxergo meu próprio reflexo num outro estranho corpo.
Reflexo morto de devaneio.
E de novo retorno ao ponto de partida: a espera.

Astro Efêmero



Eu pulei do precipício,
me atirei com vontade,
esqueci a razão e me joguei de cabeça
Sim , eu quis voar na calda do cometa!
Pode me chamar de boba,
Ingênua, carente, desequilibrada
Me Julga!
Me chama de louca varrida!
Vai lá, grita!
Diz que não passou de um comenta.
Lindo, intenso e passageiro.
E que não vai sobrar nada:
Juras,beijos ou travesseiro..
Vai, condena!
Fala que eu sou criança,
Que não devia ter me entregado por inteiro
O amor não vale o risco e
Que a vida não é brincadeira!
Diz que meu coração não vale nada,
Que eu não amo de verdade
E que lembranças virarão poeira
Por favor, manda-me parar de fazer alarde.
De tentar não esquecer
E pra eu chorar com vontade,
Matar as esperanças e o sonhos
Esquecer do cometa, seguir a vida
E encarar a realidade...
Jamais vou reviver.

Escorpiana

Hoje sonhei que estava com meu quarto todo mudado:
Cama, sofá, armário... Tudo reorganizado!
Eu mudava tudo de lugar
Sem dor... Sem raiva
Apenas mudava!
Conseguia jogar fora todas as quinquilharias,
Cartões, mágoas, fotografias!
Tudo ia sendo arremessado no lixo,
Acompanhado de um sorriso!
E lá, ia eu.
Caçando todos os lugares,
Levantando poeira
Revirando todos os armários.
E selecionava tudo que não me prestava:
Amores errados, insegurança, ódio calado.
Tudo ia sendo arremessado!
Falsas esperanças, paixões mofadas!
Trabalhos adiados, projetos falidos.
O velho ia sendo jogado!
O som de uma musica leve
Deixava-me mais forte.
Mas decidida, encontrada!
Auto-suficiente, amada.
Sentia-me linda, moça, renovada.
Continuava a jogar o meu velho mundo
No grande saco de entulho.
Com cada peça jogada,
Mas feliz eu ficava!
Acordei do sonho assim,
Transformada, recriada!
Nova vida enfim,
Dentro da pequena velha de mim!

Nós, vós , elas





E de repente, não mais que de repente.
A gente se separa e se encontra.
Pulsa, dispara, pira e repara:
Que somos mulheres !
Perdidas, Amadas, Sofridas!
Loucas varridas!
Procurando amor e encontrando dor!
Atrás de sonhos perfeitos
Nutrindo desejos no peito
Sofrendo calada!
Mas hoje grito, berro, mordo!
Quero que você me escute
Perceba que não sou só um corpo
Que você entra e sai na hora que quer
Sem o menor cuidado ou preocupação
Eu sou mais, sou mulher!
Do meu ventre nasce à vida
Do seu convívio, à ferida.
Por isso ,meu amor:
Trate-me com respeito
Ou de mim só terás dor.

Distorcida


Olho no espelho, imagens contrárias , contorcidas e vejo:
uma menina em um corpo de mulher
Menina sapeca e sorridente,
que quer sugar o mundo e toda gente!
Muitas vezes carente,
passando imagem de segura
dona do mundo, autosuficiente!
A sempre romantica menina finge ser mulher decidida
Coitada da pobre menina, tantas vezes perdida!
Julgada pela imagem contorcida!
A menina é uma atriz
e faz imagens diversas no espelho
Cria tipos e dá risada
muda e se transforma por inteiro!
Ela finge que é pirada,
mas a verdadeira face da menina
para poucos é mostrada !
A menina doce e meiga
se esconde atras de tipos
que muitos bobos acreditam!
Mas quem a conhece sabe:
a menina é romantica
procura amor e só quer ser feliz
E a imagem contrária divulgada
é apenas devaneios de uma atriz!

A Bacante

Enquanto você se guarda
vendo a Banda da janela
esperando o CARNAVAL passar...
Já montei o meu bloco,
Tô no meio do povo
querendo me acabar!
Já bebi tudo que podia
me cobri de fantasia...
E Agora, vestida de Colombina
estou à procura de um novo pierrot!
Misturo salivas, sonhos, mordidas
encontros, nomes, cheiros, ferida!
Nem me lembro o que é amor
Eu me lanço é na vida!
Vejo-me perdida,
Solta pelo ar...
E sigo pelo povo:
ao encontro de Dionisio!
Meus sonhos perdidos,
O instito- A Libido
E sigo!
Celebrando o tesão
Beijando policial,malandro,gato,cachorro, ladrão!
Vou abraçando o mundo
e esquecendo os sonhos que escorreram da minha mão
Nem lembro de vc, que enterrou meu mundo
Ou que amanhã já é quarta feira de cinzas!
O importante agora é viver o segundo
me entregar a qualquer um...
Esquecer a dor e o teu beijo imundo!
Que não sai da minha cabeça,
e cada dia que passa, suja mais meu coração...

Saindo de Cartaz



Penso nas listras da sua camisa
Nos desejos escondidos
Sua mão debaixo do meu vestido
Em tudo que podíamos ter sido...

Lembro dos meus escândalos,
Da minha possesividade idiota.
Das palavras ao pé do ouvido,
Dos beijos no meu corpo adormecido...

Percebo que não fomos nada
Que rapidamente foi dissolvido
Que a minha intensidade te assustou
E que jamais seria amor...

Ainda vejo Você dançando pra mim,
Em tons alaranjados.
Com jeito suave de me tocar.
Nossos corpos entrelaçados

Recordo as confusões,
A discursão de uma relação,
Uma relação que insistia em existir
Mesmo a gente dizendo que não...

Sei que a sessão chegou ao fim,
Que as luzes vão se acender,
que não adianta quanto vai doer
vou ter que levantar da cadeira
e desistir de você!

Voce vai seguindo,lindo e solto,
Já nem lembra de mim.
Outro filme está em cartaz,
Já não sou ninguém,
Fiquei pra trás!

Lunar

Hoje quero fazer diferente,
parar de procurar defeitos em mim,
De me preocupar com a grana que não vem,
parar de brigar com a minha mãe que diz só pensar no meu bem...
Cansei de esperar o telefone que não toca,
a chuva que não pará,
de ficar aguardando mudanças,
vou parar de imaginar coisas ruins...
Hoje vou jogar a chave do meu carro fora,
sair correndo pelo mundo,
hoje sou o segundo!
Hoje vou pra lua!
Sozinha... eu e meus sonhos
E lá vou eu ...voando pra lua!
Sem medo de cair.... saboreando estrelas!
me vendo em cometas...contando satelites!
me esquendo da terra!
E Vou!
Porque a gravidade me sufoca,
o peso me faz mal,
a preocupação me deprime!
Vou e me entrego:
a flutuação da lua, a instabilidade, a confusão!
aos desejos arianos, a intensidade perdida
Vou sem dar partida..
voando de tesão!
Vou, sem olhar pra trás
Esqueço pai,mae, namorado...
vou nua ao meu encontro
fazer amor com a lua
eu, sozinha!
Com a minha feminilidade
com a intensidade que não querem
com a força que assusta...
Vou, e não tenta me prender
Tô cansada dessa vida
pra matar um não custa!
e da lua voou olhar pra cá
sem saudades ou desejos de voltar...

Borboletiando




"O segredo é não correr atrás das borboletas...
é cuidar do jardim para que elas venham até você!"
Mario Quintana


Eu cansei de correr, de querer conquistar
vou mudar, me calmar
esquecer... ir dançar !
Ou então ficar aqui, sozinha:
vendo a chuva cair!
Tentando parar de refletir
procurar erros...
Não adianta mais :Acabou!
Agora sou só eu e o meu jardim....
Esperando borboletas!
Esperando...Esperando...Esperando
Como não suporto esperar,
quero correr, brincar , cansar, suar, gozar
Que merda de esperar!
Não agir, aguardar
isso não é pra mim...
Sou ativa, ariana doida
Impulsiva , vivendo segundos perdidos
gritos no ouvido, gemidos susurrados de cochinha.
E a chuva não pará em brasilia!
eu aqui sozinha, esperando não sei o que...
Cansada de lagartas e borboletas alejadas
que fogem sem querer voar comigo...
Maldito gemido que volta na minha mente
me olho no espelho:
reflexo de uma psiciana carente
perdida, desiludida e cansada
esperando...esperando e me desesperando!
E a chuva não pará em brasilia!
Eu aqui sem casulo, sem braço, sem traço,sem cheiro
Só, sozinha, somente.
desemperada, largada, demente...
Cansei de cuidar de jardim,
Nasci pra ser borboleta!

A Lei da Selva

Homem é um bicho esquisito:
caça,come, joga fora a carcaça.
Mulher tem outro instinto;
escolhe,leva pra casa, usa....

e, com a sobra dos ossos,
faz um par de brincos!

Mistura de pedacinhos

Eu,pedaço de muita gente.
Venho de longe, não sei de onde:
talvez de um sopro ou de um gozo.
Sou um pouco de que vejo e muito do que escondo.
Não sei direito quem sou, o que é certo.
Sozinha, me mudo todos os dias.
Mudo e me mudo em mim...
Tudo rapido, aceitavel, descartavel.
Eu giro com meu mundo!
Mudo todos os dias!
Mudo e me mudo em mim...
Me vejo, mas as vezes, não me reconheço.
Não sei direito quem sou.
Quero o concreto que me retorne.
Sou do barraco, sou o que cala, sou o que brilha e ao mesmo tempo se apaga.
Eu sou veraddeira e perversa .
Sou mistura do bem, bom e belo com o pecado, o grosseiro, o bizarro.
Não sei direito quem sou.
Só agora entendo que o mesmo vento que sopra a favor é o mesmo que sopra contra...

Teias de Aranhas






Poeira solta a procura de outra poeira. Vontade de fugir, fingir que não é comigo. Uma porta aberta. Passos, sons carros que passam, passam e não param... Não é, não vai ser. Entrelaço os meus cabelos soltos de novo. Como se soltando esses cabelos, eu me soltasse também... Fuga de mim. Não quero olhar para dentro. Essa agonia que dá vontade de rir. Vontade de coçar a alma. Uma porta aberta. Parada. Vou até a porta. Olho. Olho,olho. E não enxergo nada. Alguns passos, barulhos. Quero fugir... Para que tocar nesses assuntos? Então volto a entrelaçar o meu cabelo. Não vem, de certo não vem...Quero uma musica com assobios soltos! O meu cabelo cai e se entrelaça entre as minhas mãos. Uma porta vazia de sentidos. Cutuco as unhas para não cutucar as feridas. Vontade de morder. Ando pela sala e sento. Para que uma porta aberta se eu não posso sair? Arranhas que esperam mosquitos e nós esperamos... Olho para todas as aranhas. Queria ser uma poeira dessas, uma sujeira. Queria tá sendo varrida dessa sala agora. Não quero olhar para mim. Que horas são? Será que ela tá espiando pela janela? Dor, a dor, adormecida. Olho para uma aranha, me ofereço, ela não quer. Olho para porta de novo. Nado ao encontro do nada. Minhas unhas coçam o meu corpo tentando tirar a sujeira, a poeira e as teias. Será que ela só vem meio dia? Vozes me enganam. Quero todas as minhas aranhas aqui, comigo. Eu sangro e os cabelos na cara entrelaçam angustias.

Oposição

Lados opostos
Direções contrarias
Desejos inversos
Sentimentos errados

Ela quer ir fundo
Ele se contenta com o raso
Não quer o profundo
Tem medo da queda

Ela olha pra frente
ele vê o agora
Quer devora-la em instantes
ela busca a demora

Quer o beijo longo
A ilusão de um pra sempre
As descobertas diarias
a delicia de se arriscar
Quer ele completo
Sem medos ou neuras de errar

Ele quer beijar todas as Flores
Descobrir todos os cheiros
Saber um pouco de tudo
sem se aprofundar em nada

Os dois contrarios
o que ela procura
ele foge!
O que ele vislumbra
ela dissolve....

Ambígua


Hoje quero ser livre
voar como pássaro!
Quero ser o próprio vento
correndo solto pelo mundo!

Hoje quero ser desejo,
quero ser amante,
quero ser o beijo,
trocado em instantes!

Hoje quero ser o mar
com ondas intensas
quebrando na areia!
Quero ser sereia
mergulhada em sonhos.

Hoje quero ser só,
somente COMPLETA!
Cheia de mim,
tentativa de poeta!

Hoje sou o silencio
a musica dos surdos !
Hoje sou do mundo
a cor do pintor!

Hoje sou a lagrima que desce,
a loucura que mexe,
o amor que se esquece,
o beijo que não vem!

Hoje sou orgasmo
deixo a menina de lado,
esqueço namorado,
viro mulher!

hoje já não sou nada,
sou o que você quiser!

Da sua Boca...Silêncio






Eu esperei da sua boca... Um som solto.
Talvez um sopro. Ou uma silaba qualquer...
Esperei um sinal...Quem sabe até linguagem corporal...
Na minha esperança de mulher.

Silêncio!

De ouvidos em pé, esperei sentada:
Corda, vozes e violão.
Perdendo o tom, quis ouvir ser amada.
Aguardando a mesma velha canção.

Silêncio!

Desejei a sua língua,
Seus movimentos soltos.
E de tanta demora:
Eu quis te cortar o pescoço!

Silêncio!

O meu tímpano não está furado,
A sua boca não está em greve.
Por que você demora tanto
Pra dizer o que me serve?

Silêncio!

Eu sigo meu curso,
Não dá mais pra te esperar.
As palavras já estão mudas
Não há porque te escutar.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Cama de vazios




Me atirei sem certeza a uma cama gigante, aparentemente confortável. Aparentemente. Uma cama que já visito há algum tempo, mas que meu corpo não consegue se adaptar. A cama que visito, quando quero me ferir. Sempre a mesma. Uma cama baixa, perto de uma janela grande, de fora a fora. Uma janela daquelas que dá vontade de se jogar, sabe? A cama sempre está meio bagunçada, dando uma impressão de ter sido usada há pouco tempo. Ela é enorme e de uma tonalidade marrom tabaco. Um edredom preto que sempre está amarrotado.

Lembro da primeira vez que a conheci: Eu estava ansiosa, apaixonada e meus pés foram deslizando levemente até ela. Tudo começou com uma dança leve. Mas no meio, a musica acabou. “Desculpa...Mas é que...Eu tô achando tudo isso superficial... Eu nunca fiz isso, quer dizer, não dessa forma... Eu não consigo.”— disse em meios de lagrimas. Levantei dela assustada, peguei as outras partes de mim que estavam espalhadas pelo quarto e segui decepcionada. Eu não tinha conseguido deitar naquela cama mesmo querendo tanto, mesmo sendo tão moderna.

Segundo encontro com a cama demorou muito. Dormiram pessoas entre nos duas. Mas a minha curiosidade, quase infantil, ainda persistia naqueles lençóis brancos. Um dia, não, uma noite. Eu fui até o seu encontro. Trance no meu ouvido, tudo rápido e alucinante. Mas no meio, a musica acabou. “Desculpa... Mas é que... Eu queria muito... Eu não consigo.”. Dessa vez ela falava para mim, se desculpava por não conseguir me cobrir com os seus macios lençóis. Recolhi como de costume, as minhas ilusões e voltei para casa.

Depois veio o terceiro, quarto, milésimo encontro. Quando eu queria me machucar corria para o seu colchão. Ou quando já estava machucada. Ou quando ela estava carente. Ou quando o desejo nos visitava. Os lençóis da cama me agarravam de uma maneira que quando eu via estava lá, descoberta. A gente se divertia muito disputando quem tinha mais poder nessa relação. Quem conseguia sair ileso daquilo tudo. E ela sempre representou melhor esse papel que eu.

Mas apesar de bêbada de sono, eu não conseguia dormir com ela. Não me adaptava: os abraços, o corpo colado, a mistura do desconforto com o desejo. Vontade de empurrar aquele corpo longe, sair do vazio. Do meu vazio. Eu sempre acordava no meio daquilo tudo e fugia.“ Pô, dorme comigo a noite toda?”- Ela sussurrava no meu ouvido tentando me puxar de novo. Eu respondia sempre com um sorriso falso, como tudo que estava ao nosso redor e seguia o meu caminho despedaçado... Jurava nunca mais me deitar por ali...

Ontem eu a encontrei num samba. Sorrimos, dançamos, bebemos e conversamos sobre a nossa relação. E acabei sendo levada, ou fingindo ser, mais uma vez para os seus lençóis... Dormi lá. Cobri o meu incomodo com o desejo. Uma entrega. Podia dar certo enfim! Tantas vezes eu fugindo no meio da noite, como seria adormecer com ela? Sim, dormi sobre ela! Mas fui acordada com o pedido de que eu deveria me retirasse logo da sua maciez. Que eu devia me descobrir dos seus lençóis e seguisse o meu antigo rumo. Ela venceu de novo. Eu, esqueci minha ilusão no seu travesseiro