sábado, agosto 25, 2007

O amor odeia clichês


Noite de sexta-feira, sozinha no meu quarto, de banho tomado, tento escolher um entre todos os meus vestidos preferidos: Qual daria mais sorte, o branco de bolinhas pretas ou o preto de bolinhas brancas? Sigo com a dúvida cruel até o telefone, que toca desesperadamente. Esboço um sorriso. Será que é...? Bem que podia ser hoje! Bem que podia ser agora! Um amor novinho em folha! Um amor imaturo...Desses que transformam as calçadas em nuvens... É a minha mãe! Quem poderia ser? Também que idéia, alguém já viu amor fazer chamadas por telefone?! Parece que ele nunca chega na hora certa... Agora, por exemplo, que eu estou toda perfumada, escutando jazz e pronta para me entregar! Mas não, esse danado do amor costuma sempre chegar antes do momento esperado. Sabe naquele momento em que você acabou de se filiar ao partido das solteiras convictas e quer sair por ai, beijando todas as bocas? Então. Lá está ele, batendo na sua porta! Mas ai já viu, estamos ocupadas demais com a nossa liberdade e nem percebemos a visita. Ou então pior, ele chega bem atrasado. E te encontra assim, amarga, desconfiada, cheia de olheiras... Sem coragem de apostar! O amor então dá meia volta, volver! Egoísta, esse meu amigo... Não espera a nossa certeza. Ele é assim: apressado. Ou você segura ele, ou ele demora muito a passar. Às vezes passo meses procurando o amor, mas ele se esconde bem. O amor é como tesoura de unhas, nunca está onde à gente pensa. Fico aqui, pensando, quantas vezes eu fiquei hipnotizada por um babaca a festa toda, enquanto o amor estava ali, olhando diretamente pra mim, me chamando para dançar. Sabe ultimamente, ando acreditando que o amor está em todos os lugares, eu que não sei procurar direito. Ele pode está até aqui, lendo essas bobagens que eu escrevo... Imprevisível. “Mas será que o amor prefere o branco de bolinhas pretas ou o preto de bolinhas brancas?”

?!

Na dúvida: fico comigo!

quinta-feira, agosto 23, 2007

Paraíso Comprimido



Abro a minha mão, e ele está na minha palma.
Redondo, com desenho estranho e de gosto forte.
Em minutos, gosto já foi substituído pela ilusão...
Dentro da minha boca, o pequeno fica gigante!
Ele se dissolve rapidamente no meu corpo,
Mistura a alegria e o veneno...
E em poucos, descubro o paraíso efêmero!
Tenho a musica dentro de mim!
Sua batida é a minha pulsação.
E danço com o meu prazer.
O mundo está nas minhas mãos!
Me abraço, me beijo e me esfrego
Não nego, não canso e apenas danço!
“Tum, tum, tum, tum”
Bate a onda na minha cabeça,
Ou talvez seja o meu coração?
Percebo que o amor está na veia...
O suor está no chão.
Eu, aqui, imersa na minha fuga.
Comprimida no paraíso efêmero,
Percebo que o prazer resolveu parar de dançar
Que o mundo foi dar uma volta,
e que eu preciso de mais um comprimido pra voar!



Poesia velha[20/11/2001],da época que se comprava a felicidade em um pequenino formato. Época que os amores eram descartáveis e o mundo individual! Ainda bem que hoje em dia, somos todos tão diferentes...rs

quarta-feira, agosto 15, 2007

Iludida Vida

Te visitei hoje. Tinha tanto tempo que eu não te via. Aliás, eu me esforçava para sumir quando sabia que você ia aparecer. Saia de mansinho, bebia mais um gole de cerveja e dançava com quem tava do lado. Fazia questão de fugir de mim mesmo... Mas hoje era dia de visita. Mesmo com o coração ainda de luto, eu quis te ver! Quis pensar em você, nesse alguém, que nunca existiu. Parece loucura, visitar alguém que não existe. Mas sabe que hoje, te vi por ângulos novos. Você está mais bonito, e pela risada parece que está mais feliz também. Bateu até aquela saudade besta, aquela que mareja os olhos. Saudade do meu namorado inexistente! Um moço que passou por aqui apenas para destruir o meu coração imaturo. Uma imagem torta, uma percepção errada, movimentos precipitados e... Acabei despedaçada! Raiva. Amargura. Talvez um pouco de inveja também. Sentimentos impuros de uma mulher que visita o inexistente." É preciso destruir a ilusão de um talvez ou a lembrança boba do dia que imaginei que podíamos ser algo" - repito diariamente. Como posso ter tanta mágoa de alguém que nem existe? Porque tantos sonhos perdidos e caixas de chocolate devoradas? E me vejo calada, solta na noite, andando sem ninguém. Muitos braços, falta de abraço. Bocas secas sem paixão. E alguns corpos que nem me atrevo a tocar, porque sei que não consigo lavar a podridão que eles acompanham. Prefiro ficar só, passeando de um lado para o outro. Pra que pular de casa em casa, se não posso encontrar morada? São nesses dias, depois da visita, que fecho os olhos e escuto um jazz rouco. Eu, vestida de vermelho florido, danço dentro de um pequeno bar antigo, um visual sépia de um filme europeu da década de 50... Há um sorriso puro na minha boca e os meus lábios sentem o sabor antigo da esperança... Suave. Lindo. Pegada leve... Mas tudo passa rápido. Como você, a ilusão que criei. A realidade sempre bate a porta. Eu já nem sei onde estou! Ando repetindo palavras, comportamentos, sentimentos. Mas sei que não sou mais a mesma. Pra que visitar alguém tão distante? Talvez para fugir desse vazio, da minha poesia fraca, a necessidade idiota de parecer ser algo que não sou ou a luta incansável de tentar segurar lágrimas. Será que vale a pena? Rasgo de vez o seu endereço, coloco o jazz na vitrola, pinto os meus lábios de vermelho e sigo em busca da ilusão da vida real.

terça-feira, agosto 14, 2007

Papel de Boba

É bobo, imaturo e ridículo. Mas que fazer? Quando eu vi, já estava no meio de uma peça infantil e vocês dois, de mãos dadas, eram os grandes protagonistas. Não sei ao certo, se era peça infantil, ou drama, ou sei lá o que...Só sei, que pra mim, não tinha a menor graça toda aquela cena!
Justamente nesse momento do espetáculo, que percebi o meu insignificante papel de atriz coadjuvante no meio da sua palhaçada. Tenho que admitir que foi triste, que quis agarrar-te pelos cabelos e dar um soco na primeira atriz. Mas já era tarde demais, a diva já tinha levado a peça, o meu ator e o animo de continuar ensaindo um textinho medíocre que elaborei pra tentar te conquistar. Impossibilitada de agir, tive que largar a minha máscara de mulher poderosa e deixar os dois continuarem a cena sem mim. "Ce la vie" - pensei com o meu nariz de palhaça e sai do teatro com a certeza que daquela peça, eu não faria mais parte.

sábado, agosto 11, 2007

Ao meu desconhecido




Ando me exibindo por ai, para rostos anônimos que correm as ruas sem esquinas. Mostro pedaços soltos, letras miúdas, rimas perdidas... Ando tão menina! Longe do medo, coberta por uma esperança boba que me abraça, eu sigo pela praça! E lá vou eu, rebolando a minha poesia solta pela calçada. Os meus passos tentam prestar atenção em cada número que se apresenta e, ás vezes, no meio de tanta face diferente, eu acabo perdida nas minhas entre-quadras. Sabe, nunca fui boa em matemática! E quando me vejo assim, no meio dessa confusão, fecho os meus olhos. E de repente: tudo acontece! Ultimamente, eu costumo sonhar com o desconhecido! De cara velada, ele me pega pela mão e me arrasta para longe... Suspensa! E vai me guiando para um lugar onde não preciso mais pisar no chão, segurar os meus pertences e muito menos me preocupar com números chatos. Ele me faz rir, fazendo cócegas no meu ego inflado e me deixa assim: curiosa e exibida! Eu tento manter os meus olhos fechados e busco uma pista qualquer que me leve ao seu esconderijo. Um desconhecido íntimo. Anônimo. Misterioso. Mas de repente, meus olhos já estão abertos e sopram a realidade a minha face: “Quando a gente não sabe onde pisa, é sempre melhor ficar de letras caladas.”

quinta-feira, agosto 09, 2007

domingo, agosto 05, 2007

Entre as duas mãos


Talvez não seja só carencia,
Ou aquilo que chamam de saudade.
Pode ser algo mais:
Como a falta da sua juba loira.
Ou a beleza não-efêmera do seu olhar.
Ou então, apenas a falta do barulinho da sua risada rouca.
Talvez não seja apenas vontade de te abraçar,
te contar os meus anseios bobos de menina,
Ou de criar poesias enquanto comemos pão de queijo.
Pode ser uma imensa falta da tempestade que você cria na minha cabeça.
Do desejo que insiste em se misturar com a amizade...
De querer comer maçã em plena tarde,
Experiementar uma saia rosa e sair de mãos dadas,
Nós duas, à procura de versos soltos no mundo!