domingo, maio 31, 2009

Um peito cheio de dúvidas atravessa a rua larga. Cadê? Em que ponto, em que asa, em que eixo? Estou parada na mesma quadra. E a cada passo, a distância aumenta. Não sei onde me localizo nessas ruas sem encontros. Os números embaraçam meus desejos. Talvez eu não consiga digerir direito o meu plano. Eu sou só engano com os meus sub-versos.




quinta-feira, maio 21, 2009

Incompleto - como a vida.

"Estava chovendo no eixo monumental, quando me senti com 15 anos. Errei duas vezes o caminho antes de chegar a na minha casa. Ainda precisava jogar as roupas na mala, depilar, tirar dinheiro e voltar agir com serenidade. Ninguém morre de amor. Em menos de quatro horas, eu estaria atravessando o centro do país em busca de eternizar algo que nascerá em dias ébrios.
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Os minutos escorregam do relógio quando se está com pressa. Na plataforma da rodoferroviaria, estava a mesma personagem do parágrafo acima. A mochila desarrumada nas costas, uma garrafa de água com gás, dois maços de cigarros de canela e uma enorme barra de chocolate meio amargo. Havia uma fila brasiliense para entrar no ônibus. Viajantes estranhos se entreolhavam e trocavam poucas palavras. Ela acendeu um cigarro para celebrar o costume da sua cidade, e conseguiu enfim respirar depois do longo dia.
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Sentei do lado da única certeza: minha vontade de ver mais partes dele. Desde que nos separamos, sentia teu corpo me abraçando todas as noites. Soltava algumas palavras, me beijava de forma doce e permanecia ali, entre as minhas pernas, até eu adormecer. Parecia ser intenso demais para apenas seis dias de convivência carnavalesca. Como podia estar entregue aos braços de algo tão efêmero?

As minhas perguntas imaginárias avançavam os sinais vermelhos. Daria o mundo pra entender cada métrica que se escondia por trás da barba do destinatário. Lá podia estar o inicio ou o final de uma longa espera. Não havia bússola, nem mapas. Nos últimos tempos, eu era uma náufraga que vagava sozinha em uma estrada longa e comprida.
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Ele se fazia presente a cada momento de descuido da sua realidade. Seriam 937 km ou 14 horas até chegar ao destino escolhido. Curvas, asfaltos, dramins. Ela costumava enjoar fácil. É preciso de concentração e paciência para seguir. Viajar de ônibus agonia a alma dos mortais. Aquela intimidade forçada de roncos e barulhos estranhos por todos os lados. Talvez fosse bom levar um livro de companhia mesmo sabendo do risco de deslocar a retina. Enfim, estava feito. Não havia porque se arrepender. Nem todas as torturas rodoviárias iriam impedi-la de dar aquele passo.

Conversou com as estrelas mesmo sem abrir a cortina ao anoitecer. Leu algumas rimas. O suficiente para a superdosagem do remédio de enjôo acomodasse o corpo pequeno na poltrona desconfortável. A tal poltrona, que por quase uma hora, ela tentou convencer a se inclinar de forma servil, para que seus cabelos castanhos repulsassem. Não adiantou apertar botão, nem rezar a Ave Maria ou brincar de quebra-cabeça. Foram precisos quatro comprimidinhos brancos e vinte três poesias e meia para que a paz fabricada reinasse sobre a terra. "


Esse texto foi escrito no mês passado, e como dá pra perceber, ainda tá em aberto... Buscando um grande final. Mesmo assim, quis postar aqui. Porque enquanto os finais não são possíveis, eu saboreio meio.

domingo, maio 17, 2009

NEM DE MIGALHAS, NEM DE LEMBRANÇAS
SAUDADE NÃO ME BEIJA A NUCA!

quarta-feira, maio 13, 2009

Nesse instante, desmontaria meu corpo sob o teu. Teria meus cabelos dedilhados. Fecharia os olhos e me sentiria acolhida. Pássaro no ninho. Perderia a minha cara cansada, meus problemas banais, minhas contas vencidas. Eu ia ficar quieta. Pronta pra teus mimos. Você me cobriria de silêncio e de desejo. Ia beijar a minha nuca, enquanto eu mostrava meu lado mais bonito. Seria frágil como a brisa. Receberia seu toque, me envolveria nos teus braços e teceria um grande cobertor de peles. Eu estaria apenas com você. E mesmo que o mundo partisse em dois, eu seria completa.

segunda-feira, maio 04, 2009

Com Licença Poética do Carlos Drummond de Andrade


Tinha um desvio no meio do caminho,
Assim como a pedra, tinha o desvio.
Tinha um grupo de amigos, tinha uma filha
E principalmente tinha uma fuga.
Eu estava no meio, como coadjuvante.
O que entender desse meu amante?
Que não me come, que não me beija.
Que não me surpreende no meio do banho.
Há de ser um fim de grande tamanho
Que se segue nesse meu caminho.
Eu que vim de longe, eu que viajei o mundo
Eu que me perdi seu corpo em poucos segundos...
Conjuguei a palavra saudade,calcei pedra por pedra desse chão.
Agora me fala o que eu faço para colar esse meu coração?
Não sou poesia fria, não sou mulher calada.
E mesmo com corpo em chamas, ele me cobre de nevoada.
Eu que não tenho casaco, eu que não tenho morada.
Eu que segui por esse caminho e perdi em sua cilada.
Há uma cozinha fria, há as lágrimas no colchão
Minha confusão de sentidos me jogou no meio da contra mão.
Não se pode esperar promessas ou construir castelos de areia.
Somos benzidos pela vida incerta, pelo canto da sereia.
As palavras sopram verdades na cara da poeta.
São cartas, curvas, precipícios e setas
E, no meio da estrada, minha dúvida resiste:
Subo, desço, desvio ou sigo?
(quando amanhecer eu decido!)

Palavras abortadas espontaneamente na madrugada do dia 19 de abril de 2009.

sábado, maio 02, 2009

Deu saudade de escrever por aqui... Tantas rimas forma feitas nesse longo silêncio! Eu queria ter dividido isso com vocês. Ter registrado: cada momento com uma palavra. Mas as vezes, temos que viver um pouquinho sem papel e sem caneta. Fazer poesia na memória. Foi isso que eu fiz, nesses últimos 10 dias.

E enquanto eu organizo as minhas lembranças, leia os textos antigos. Juro postar novidades na semana que vem!

Um beijo ao desconhecido.
e
ps -> segue um pouquinho do futuro só para inspirar... rs
e
"Os minutos escorregam do relógio quando se está com pressa. Na plataforma da rodoferroviaria, estava a mesma personagem do parágrafo acima. A mochila desarrumada nas costas, uma garrafa de água com gás, dois maços de cigarros de canela e uma enorme barra de chocolate meio amargo. Havia uma fila brasiliense para entrar no ônibus. Viajantes estranhos se entreolhavam e trocavam poucas palavras. Ela acendeu um cigarro para celebrar o costume da sua cidade, e conseguiu enfim respirar depois do longo dia."