domingo, agosto 05, 2007

Entre as duas mãos


Talvez não seja só carencia,
Ou aquilo que chamam de saudade.
Pode ser algo mais:
Como a falta da sua juba loira.
Ou a beleza não-efêmera do seu olhar.
Ou então, apenas a falta do barulinho da sua risada rouca.
Talvez não seja apenas vontade de te abraçar,
te contar os meus anseios bobos de menina,
Ou de criar poesias enquanto comemos pão de queijo.
Pode ser uma imensa falta da tempestade que você cria na minha cabeça.
Do desejo que insiste em se misturar com a amizade...
De querer comer maçã em plena tarde,
Experiementar uma saia rosa e sair de mãos dadas,
Nós duas, à procura de versos soltos no mundo!

5 comentários:

Salve Jorge disse...

Saudade
Sal dar-te
Para que unte na carne
E arda a vaidade
De saber o sabor
Do louvor dessa amizade
Desse amor que visa o penhor
Sem qualquer amenidade
Quando erram os passos
Restam aos traços
Punir a maldade
E sorver a profana sabedoria
Esfacelada no passado

Anônimo disse...

Talvez não seja carência, seja cantada.
Talvez seja essa, certamente, a mulher errada.
Talvez, nada. Quando a gente não sabe onde pisa, é sempre melhor ficar de letras caladas.

Patrícia Del Rey disse...

Adorei todos os versos!
Inclusive aqueles que são feitos pelos que escondem o rosto!
e uma coisa posso afirmar:
entre a carência ou a cantada,
eu prefiro ficar suspensa sobre a duvida do talvez... rs
As letras caladas vão guiando o mundo!

Anônimo disse...

As letras caladas vão guiando o mundo dos surdos!
Ah! Parabéns por (des)esperar. Não só vi, como gostei - o que é cada vez mais raro para um antiquado que não mostra a cara!

Patrícia Del Rey disse...

Obrigada, anônimo antiquado!
É bom despertar algo sublime naquele que nos olha...
Sabe, ando curiosa pra descobrir a face daquele que me observa!
Nesse mundo de tantos rostos efêmeros, é bom ter alguém que leia as minhas entrelinhas!