sexta-feira, agosto 22, 2008

Entrelinhas

Há lágrimas nos meus olhos. Um mar delas. Nem sei porque elas caem nesse momento, apenas sinto o gosto salgado na boca. Enquanto o Caetano canta, a dor invade o quarto. É como se tivessem arrancado uma parte de mim. Pra onde foi tudo? Será que nunca existiu? A realidade insiste em bater na porra da porta. Pra que nomes, pra que situações, pra que a fuga? Não mordo, nem mato. Acordo sempre com esse sonho estranho. Não quero um salvador. Não quero um pau efêmero.Nem instantes corridos. Quero poesia. Um beijo no meio das costas. O tempo instantâneo de um amor imaturo. Quero que pegue na minha mão e suma. Quero mais, mas falta muito. A verdade é que nada tem importância pra mim, só a paixão rasgada. Estranha, essa sensação de vazio que me visita agora. De ser indesejada. Descontínua. Perecível. Tudo passa tão rápido que marca. Devia esquecer, me perder e fingir. Mas sinto essa dor gritada, o cheiro pré-anunciado da solidão e, mais uma vez, sinto muito medo de mim.


quarta-feira, agosto 20, 2008

Hoje acordei com uma ventania que entrou pela minha janela aberta. Era um vento forte que parecia celebrar algo especial. Os ventos sopraram lembranças sobre meu ouvido. E aquele toque suave de furacão permanece até agora sobre a minha pele. Havia você ali dentro do meu quarto ao acordar. Sua poesia. Seu grave. Seu gosto específico de vento sobre o céu da minha boca. Eu fui vestida de vontade ao amanhecer.

Entrelinhas

Ontem assisti um filme sobre a minha vida. Parece estranho, mas é verdade. Alguém entrou aqui, leu tudo que eu escrevi e transformou em pelicula. Era como se eu estivesse na tela com o rosto de outra. Não só entreaberta, mas escancarada. "Sou uma personagem clichê"- pensava a cada plano sequencia. Tinha até uma cena onde a moça entrava no chuveiro e corria sangue morto por todos os lados. Filme escuro, cheio de entrelinhas. Havia muito exagero também, um absurdo permeava as cenas e a atriz estava estilosa mesmo na merda. Mas isso é detalhe perto da estoria de uma mulher e seu bloguinho. Comédia adolescente? Não, obra prima estranha. Amei. Recomendo mil vezes mesmo para os desblogados.
Nome Próprio - filme de Murilo Salles.
baseado na obra de Clarah Averbuck,
com Leandra Leal.


quinta-feira, agosto 14, 2008

Saudade

Entra sem ser chamada. Me acorda com um beijo doce. Puxa o lençol da minha cama. Jura amor eterno nos meus ouvidos e me impede de continuar. Faz questão de chamar atenção, de sacudir a inercia, de rasgar minha a calma. Traz de presente o cheiro daqueles cachos castanhos de menino. Os cachos que as minhas mãos bagunçaram antes da corrida com o vento para o outro lado do mundo. Aqueles cachos que entrelaçaram o meu corpo com o sedento desejo de permanecer na cama por mais tempo. Mas ela entra sem ser chamada e me acorda. Vai até o banheiro, enche a boca de água salgada e benze os meus olhos. Bom dia estranho. E se mantém aqui no quarto- intrusa companhia- perfuma o ambiente e abraça a ausência do real. Ela mistura desejo com falta, falta com medo, medo com lembrança boba. Todas as cores necessárias para um quadro clichê. Ela usa as minhas paredes como uma grande tela e pinta, rabisca, picha algo que ainda não existiu. A moça vadia me veste de ilusão e recomenda a espera como refeição diária. Logo pra mim, que odeio esperar.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Príncipe da Ilha


O que escrever de você, paisagem muda? Fica parado como dois de paus. Quieto no seu pedestal. Distribuindo sorrisos rápidos para as milhares de súditas abobadas. "Toda moça quer ser rainha", diz a lenda. Pobre engaiolado, deve ser difícil ser alvo de tantas miras. Mas será que é por isso que você se permanece trancado ai em cima? Ou será medo de pisar no chão frio?Sempre achei que príncipes deviam ser guerreiros. Mas cadê o seu rugido? Cadê a mão debaixo do meu vestido? Cadê o fogo sem sentido? Nada. Você tem uma paz que me desconcerta. Plácido azul bebê. Sua selva é politicamente correta. Não há quedas, nem decidas. Você sempre mantém esses olhos calmos de brisa. Parece que foge de tudo que vibra, que tem cheiro e que é vermelho como eu. Cadê o humano adormecido nessa alma iluminada? Quero tua carne, mesmo que ela seja podre. O gosto do beijo. Ver o seu lado mais feio. Cansei do teu meio. Quero teu excesso. Mas parece que o príncipe prefere continuar no seu reino seguro de tons pasteis. Quando é que você vai deixar que as minhas mãos imundas te apresente a liberdade? Vou abolir a monarquia, destruir o seu trono e te embebedar com a minha poesia vadia.

sábado, agosto 09, 2008

Entrelinhas

Merda. Odeio quando me sinto assim. Nem sei porque estou escrevendo isso, mas resolvi começar usar esse meu blog como uma válvula de escape hoje. Simples assim. Vai ser um diário ambulante. Assim fica tudo registrado. Timtim por timtim. As asneiras e as pérolas em uma só mulher. Que coisa brega. Dá até vontade de rir. Mas não foi por isso que comecei escrever... Estou carente hoje. É fato. Queria um beijo e uma massagem bem feita nas minhas costas. Acabei de tomar banho. Um banho quente que não me relaxou. É muito chato quando o corpo pede algo que não podemos dar. Quando digo corpo englobo cérebro e boceta no mesmo pacote. Horrível essa palavra. Como algo tão belo, poético e sublime, pode ser chamado dessa maneira tão vulgar? A origem do mundo é uma palavra chula e porca. Pobre bocetinha... Quero deixar claro que quando falo de carência, não falo de sexo. Sexo é fácil. É só virar a esquina que você encontra aos montes. Mas eu estou falando de outra coisa. Algo raro, meu amor. Algo que revigore a alma. Talvez uma nova paixão fosse capaz de mudar o mundo... Fizesse sorrir mesmo com essa tremenda dor de cabeça. Não é romantismo. É saúde mental. Queria alguém que conseguisse melhorar a minha cara de exausta depois de um dia inteiro de produção caótica. Um som surge do aparelho que me torturou o dia inteiro. Não é que a solução vem em forma de rima distante? Delicia de fim de dia...rs

segunda-feira, agosto 04, 2008

Espaço vazio.
Não há rima, nem poesia.
Desgosto espalhado pelo meu quarto.
Pra que a espera?

sábado, agosto 02, 2008

Vento

Entrou sem pedir licença,
lambeu toda a minha pele
e seguiu solto pelo mundo.