segunda-feira, dezembro 22, 2008

Pés fortes, passos largos.
Ruas sem esquinas.
Um coração que pulsa...


Minhas lágrimas são poemas que brotam em manhãs cinzas. A beleza dos meus olhos vem das noites não dormidas. E se meu coração grita, é porque gosto de gritar. Não me venha com esse olhar de coitadinha... Porque das minhas cicatrizes, cuido eu. A dor é o que eu tenho de mais verdadeiro. Ela não só move meu mundo, como acelera meus passos. Eu sou o eterno beijo que está para acontecer. Se não te agrada, mude de calçada.

sábado, dezembro 20, 2008

...


Permaneces não apenas nas letras passadas,
mas de forma constante na palavra talvez.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

(des)esperar

video

Uma experimentação com as fotos da peça (des)esperar!
Estaremos em cartaz em 2009 e com a ajuda do FAC! =]
Melhor presente de fim de ano não poderia existir!

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Primeiro é preciso descolorir, desbotar todas as cores antigas e apagar o que o tempo esqueceu. Tomar um banho de Água Raz dos pés a cabeça. Limpar as frestas, os poemas, o rosto inteiro. Virar página em branco sem nenhum traço ou encanto. Pálida de mim. Ficar assim, apagada e quieta, vestida de vazios. E depois de beijar o silêncio, aceitar a espera necessária da primeira gota de tinta nova sobre a pele antiga.

domingo, dezembro 14, 2008


desbotar
( v. tr., v. int.):
fazer desvanecer
a cor ou o brilho de;
descorar;
alterar a cor;
perder a viveza da cor;
empalidecer.



Poesia Gráfica de Arnaldo Antunes

sábado, dezembro 06, 2008

Hoje estou numa crise de carência horrorosa. Não consegui escrever uma linha sequer... mesmo com o peito cheio de coisas a serem ditas. Passei o dia na cama, bem clichê, deitada. Odeio quando isso acontece. Parece que a tristeza só vale à pena quando gera algo belo, e não lágrimas derramadas no edredom. Meu telefone tocou varias vezes, mas eu não quis atender ninguém. O tempo parou. Fiquei com a dúvida fútil entre curtir a minha deprê ou sair pra tentar esquecer. Optei pela primeira. O ano já acabou, e sinto um vazio no peito. Quanto pedaços de mim devem ser arrancados ainda?

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Take 2



Tinha um segredo, uma espécie de jardim escondido no meio do cinza-urbano. Um pedaço que só pertencia a ela. Havia sido invadido em um momento aquoso, enquanto voltava pra casa num dia qualquer à tarde. Desde sua descoberta, visitava o local quando queria esquecer ou lembrar.

Parou o carro no acostamento, e sozinha subiu os degraus daquele enorme escorredor de águas que aos teus olhos mais parecia uma escada inca. Ela costumava ver tudo que a cercava de um ângulo diferente. Adicionava texturas, cores, sabores raros. Como se assim, a vida se tornasse um pouco mais interessante. Gostava de voar dentro de uma bolha de sabão prestes a estourar. E quantas vezes seriam necessárias as tais explosões? Se rasgar e costurar incansavelmente como uma aranha que tece sua teia durante a chuva.

Sentiu o gosto do sorvete antes dividido, depois o cheiro da erva. Recordou alguns entardeceres e foi lambida pelas antigas mãos daqueles passageiros. Doava poesias corpóreas para amores instantâneos. Abria pernas e peito na busca de preencher algo que faltava. Faltava ou sobrava? Já não sabia direito o que se escondia dentro dos enormes olhos de ameixa enquanto subia sua escada.

Nos últimos três degraus, não havia mais lágrimas nos olhos. Todas aquelas luzes que desenhavam o infinito abraçavam a sua dor. Podia ver a ventania que varria seus pequeninos problemas para longe. Enfim, o centro do mundo. Pouco importava as cicatrizes agora. Estava além da ponte que cortava a cidade.

Lá embaixo, os carros corriam a procura de uma felicidade inexistente. Ela sabia que era inútil continuar seguindo a mesma estrada para lugar nenhum e quis parar ali mesmo. Podia dar um fim para o constante vazio. Colorir o asfalto de vermelho. Se dissolver sobre o concreto que a cercava. Mas isso seria bem clichê. Preferia imaginar a sua morte de uma forma mais passional e menos egoísta, com direito a choros, gritos e beijos de despedida.

Abriu a bolsa, caçou o chocolate e esperou ele derreter sobre a boca. Imaginou um jazz sussurrado sobre teu ouvido. Deitou na grama, levou a mão direita até a boca, e passou o dedo indicador sobre os lábios. Devagar escorregou a sua mão sobre nunca, desenhou algo sobre os ossinhos dos ombros. Seguiu a dança até o seu seio direito, preenchendo a tua mão de vontade. Era cedo demais pra partir.