domingo, outubro 21, 2007

Prazo de Validade


Sabia que ia ser rápido, afinal você era daqueles amores perecíveis. Tipo orgânico: alto e tesudo. O ultimo pedaço do bolo de chocolate. Esses que devem ser consumidos logo que se abre a embalagem, porque senão vem outra e come. Eu comecei pelas beiradas, lambendo a cobertura com gosto. Devorando aos poucos, sem muita pressa e saboreando tua boca carnuda. Parte por parte, da minha refeição favorita: homens como você. Acho que foram umas 7 ou 8 mordidas em noites espaçadas, ou seja, pouco tempo pra ficar de barriga cheia. Talvez tenha sido esse o meu problema, o meu enorme apetite.Quis te comer aos poucos, um pedaço por dia. Mas o teu prazo de validade era curto. Muito curto. Você gosta de ser devorado por bocas diferentes diariamente, já eu gosto sempre do mesmo prato. Então foi isso, um dia, virei para o lado, e outro gato já tava comendo o meu pedaço de bolo.

10 comentários:

Armazém de Knetas disse...

Quando mais queremos, menos temos!
Talvez sejamos só poesia!

Anônimo disse...

Te vejo tantas vezes

Princesa Sisi disse...

"De certa maneira, tudo tem a sua data de validade. O peixe tem o seu prazo, molho de carne também... Até papel higiénico tem prazo.

Haverá alguma coisa que não tenha limite de validade?

No dia 1 de Maio de 1994, uma mulher deu-me os parabens. Só por causa disso lembrar-me-ei dela toda a vida.

Se a memória pode ser colocada numa lata, espero que nunca perca a validade. Mas se tiver de ter uma data-limite, espero que seja daqui a dez mil anos."


Chungking Express

:)

gostei do seu blog.

entra no meu também, esta desatualizado quanto a data, mas nem por isso os textos perderam a sua valdiade.

um beijo,
Carlos.

Luana Fonteles disse...

Arrasou amiga!
ADOREI!
essa poesia tem um ótimo senso de humor e entendo-a tão bem!
tudo em pedaços né, os de bolo e os que arrancam da gente numa mordida dura e direta.
ainda bem que somos mutantes e acabamos nos regenerando por mais que paulatinamente.
amo-te.

o bolo disse...

Não me importo em ser um pedaço de bolo. Com cobertura. Perecível.

Que diga que eu devo ser consumido logo senão vem outra e come, também não me importo, pois os papéis já foram inversos e disso você sabia muito bem, inclusive defendeu tal postura por aqui mesmo.

Não, o problema não foi o apetite, mas sim a ótica: um pedaço de bolo do seu tipo favorito, pra satisfazer a sua fome.É essa a imagem que você tem de mim. Mas e a minha fome? E as minhas vontades?

Talvez eu tenha prazo de validade. Talvez eu já estivesse estragado.
Talvez tenha sido até melhor não comer mais, pra não ter uma congestão.
Mas sou senhor de meus granulados e meu recheio, e me dou a quem bem entender. Afinal, o pedaço não era seu.

A festa acabou, e o bolo também. A amizade não precisa.

Beijos sinceros.

Patrícia Del Rey disse...

Você está certo, Bolo.

O problema não foi apenas o meu apetite solitário, mas, essa grave disfunção visual. Vontade de matar a fome, sem me importar com os desejos da minha presa. Na pressa, eu que virei presa. Presa em algo inexistente. Buscando de maneira egoísta, as minhas farras alimentares.

Desculpe, Bolo, não foi por mal. Alias se te defino assim, como um pedaço de bolo do meu tipo favorito, não é para te subjugar, mas sim, uma tentativa de elogio rápido e comestível.

Como você mesmo lembrou, eu já tinha tentado roubar esse pedaço antes.Esse deve ser o problema, todas querem te roubar sempre. É essa incrível necessidade de tentar se apropriar de pedaços que não são nossos... Mas entendo que estes não podem ser roubados, eles devem ser doados pelo dono, sem que a faminta se importe com o prazo de validade. Porque esse negócio de prazo é uma besteira, quando boca e bolo querem, vai sempre existir uma geladeira.

É isso, festa de criança acaba rápido, já amizade boa -com gosto de bolo- dura pra sempre.

Anônimo disse...

O Bolo e a Boca são Poetas!!!

oops disse...

se não acabasse o bolo acabaria a fome...

a vida é assim.

=*

Ana Lima disse...

Que forte, o Bolo comido e digerido.
Adorei o texto!

Patrícia Del Rey disse...

Oops, a minha fome não acaba nunca. Ela só muda de refeição...rs