sexta-feira, julho 30, 2010



"Assim, no entanto, você pôde viver esse amor do único jeito que era lhe possível, perdendo antes que ele acontecesse."


Marguerite Duras 

segunda-feira, julho 26, 2010

Tulipa


Essa é a minha faixa favorita, mas aconselho apreciar o cd inteiro!Tulipa. Tulipa. Tulipa. Para baixar clique aquiPra quem quer conferir antes, myspace dela:
http://www.myspace.com/tuliparuiz

...

Às vezes, ao acordar, ela sentia beijo e começava a sua doação dos primeiros suspiros matinais. Então de olhos fechados, continuava imaginando-o ali, sobre teu corpo recém desperto. Tuas mãos entrelaçam seus cabelos, os olhos se enchiam de algo indefinível. O gozo diário em sua boca. O beijo dele era seu café da amanhã. Era nesses dias, exatamente nesses, que ela ficava mais tempo na cama, dedilhando a saudade.

domingo, julho 25, 2010

Dia Fora do Tempo


Feliz Ano Novo Maia!  No Calendário da Maia, hoje nós estamos no "Dia-Fora-do-Tempo".  Essa contagem do tempo baseia-se em 13 ciclos lunares de 28 dias por ano solar, perfazendo 364 dias, mais um chamado de ‘Fora do Tempo’, entre o Ano Velho e o ano Novo.

O Calendário da Maia permite sairmos da frequência artificial para a sincronicidade da Lei do Tempo e a frequência natural 13:20, que rege o nosso Sistema Solar e toda a Galáxia. A calendário é uma medida de exactidão biológica da órbita do nosso planeta ao redor da sua estrela, o Sol. É um padrão de medida perfeito que coordena e sincroniza as fases da Lua com os ciclos galácticos e o tempo.

Hoje, temos uma grande oportunidade de reciclar, recomeçar, recarregar as energias, libertar o que já não é mais preciso, agradecer por tudo o que foi recebido no período anterior em todos os aspectos.

No dia 26 de Julho recomeça um novo ciclo com o nascimento astronômico de Sirius, que se eleva no horizonte juntamente com o Sol, trazendo uma energia de limpeza e purificação interior, trabalhando os nossos corpos subtis, principalmente o emocional. Esse novo ciclo será regido pela Lua (Lua Planetária Vermelha) estimulando a necessidade de limpar a casa, relacionamentos, pensamentos, medos, culpas, tristezas, magoas e dando início ao novo ano que entra.

Muitos acreditam que seguindo este calendário estaremos a mudar a nossa frequência e participar da campanha para um novo tempo, o tempo real da harmonia e da Paz, onde o tempo deixa de ser dinheiro para ser arte. Acho a filosofia desse calendário maravilhosa. Verdade ou não, comemoro o Dia Fora do Tempo. Esse ano não teve festival no maranhão, mas a saudade ilumina todos os que tiveram oportunidade de conhecer aquele pedaço de paraiso. Segue a foto tirada por uma pessoa muito amada, na manhã fora do tempo de 2009.

Sucesso pra gente nesse novo ciclo.

sábado, julho 24, 2010

Precipitar no abismo.Assombrar. Cair no abismo; afundar-se. Concentrar o pensamento. Maravilhar-se. Morrer de amores.

quarta-feira, julho 21, 2010

Marguerite Duras

Dormi aos braços dela, ontem. Os livros são incansáveis. Eu devorei todas as letras antes que o sono chegasse. Nome da obra culpada: A doença da morte. Um homem, uma mulher e tudo o que isso pode gerar. A autora adiciona meus ingredientes favoritos. É erótica, poética. Consegue expressar o real poder do sexo. Sem dissociar o mesmo do amor. Ela quebra com  essa dicotomia ridícula entre os dois campos. Quantas pessoas começaram a amar depois de submergir no melhor da alcova? Ao meu ver, o sexo move montanhas intransponíveis. Ele pode ser responsável pelo maior amor da sua vida. Como aquele ditado popular: " Amor de pica, quando bate fica."  Mas enfim, cabe a cada qual definir as tuas prioridades. Segue um trecho maravilhoso da minha nova amada:"Você queria ver tudo de uma mulher, tanto quanto possível. Você não vê que isso lhe é impossível. Você olha a forma fechada. Você vê primeiro os leves frêmitos se inscreverem na pele, justamente como os do sofrimento. E logo depois as pálpebras tremelicarem como se os olhos quisessem ver. E logo depois a boca se abrir como se a boca quisesse dizer. E logo depois você percebe que debaixo das tuas carícias os lábios do sexo incham e que do seu veludo sai uma água visguenta e quente como seria o sangue. Você percebe que as coxas se afastam para deixar a tua mão mais à vontade, para que você faça tudo melhor ainda. E de repente, num gemido, você vê o gozo chegar a ela, arrebanhá-la inteira, soerguê-la da cama. Você olha com muita força o que acaba de executar nesse corpo. Você o vê em seguida tornar cair, inerte, sobre a brancura da cama. Ela respira depressa com sobressaltos cada vez mais espaçados. E depois os olhos se fecham ainda mais, e depois eles se abrem, e depois se fecham. Eles se fecham."
...

terça-feira, julho 20, 2010

segunda-feira, julho 19, 2010

O teatro é algo sublime. É um diálogo verdadeiro entre as duas partes, artista e público, que comungam na arena. É engraçado que não podemos medir a dimensão do nosso discurso, já que cada espectador tem uma estória de vida e recebe as palavras da sua maneira. Ontem, após a apresentação do (des)esperar, conheci o Sr. Joel Cavalcante. Um velhinho brincalhão, como ele mesmo se caracterizou, que compareceu no camarim para me presentear com um poema. Um pequeno retrato de mim. Paredes, espera e poesia. Adorei a delicadeza. Segue o poema carinhoso:

O OLHO DO CORAÇÃO EMPAREDADO NO GELO






                       Para Patrícia Del Rey



                       Joel Cavalcante

Olhar a mulher que é
E não o que fala
Importa

O que fala não tem importância
As palavras são mortas no céu da boca
Nas dúvidas dos próprios pensamentos

Mais do que parece ser
Tem importância o que parece poder dar
Até mesmo dando a aparência de negar
Pelo suspense
Para valer mais
Mas...
Pelo mais e pelo menos
Já está dando muito mais do que pensa
Simplesmente por ser mulher
Feita pelo amor

Feita pelo amor...
Feita para o amor...
Será que poderia existir
Será que poderia ser mulher
Sem amor?

A mulher sem amor
É uma parede de olhos
Fria fria fria
Sem vestido vermelho
E sem alma

Olhei...
Você se mostrava
Mulher mais do que falava
E a fervura de sua vida disse
Para um coração emparedado no gelo
Que estou friamente morto
Uma parede de olhos sem faísca
E até pintado de vermelho continuaria transparente

Você está carne
Viva viva viva
Viva de sol brilhando
E eu do outro lado da vida sem estar do outro lado da vida
Olhando sem frêmitos e sem pulsações
Em uma pele de resignações
Estou um olho a mais na montanha de olhos

A carne é um céu cheia de espasmos
E gritos de tanto prazer que chega a doer
Dói como se estivesse morrendo
Não estar mil vezes mais vivo a cada momento
Na panela de pressão prestes a explodir flores
Até a primavera ejaculada da terra

A sua carne viva diz...
O que diz para todo não morto
Mas o que ela diz
É o que ninguém sabe antes de acontecer


Pra quem não viu a peça, ainda teremos duas apresentações no Teatro SESC Paulo Autran em Taguatinga.  Dias 22 e 23 de julho, as 20 horas, entrada franca. Apareçam! =]

quinta-feira, julho 15, 2010


O canalha não coleciona mulheres;ele realmente as ama.

Carpinejar
Antes de dormir, ela pede a lembrança: " Caminhe com delicadeza, pois o faz sobre os meus sonhos" .  Depois, entrega as tuas lágrimas e seu corpo exausto a enorme cama vazia. 

quarta-feira, julho 14, 2010

Adeus, sorriso metálico!

 
Em 15 dias, eu tiro esse delicioso aparelho. Meu sorriso metálico acompanhou as lágrimas de um fim de namoro, uma auto-estima abalada e diversos porres homéricos. Ele se despede de mim, agora que já estava acostumada, que já podia falar (direito) algumas palavras. Mesmo que estas fossem repetidas e bobas.

Na bagagem, o aparelho leva 2/3 do meu mau-humor, a minha raiva contida, aquela dor insuportável da terça-feira. Tenho dentes perfeitos. Lindos. Dão vontade de morder. Tantas horas deitada naquela divã disfarçado de cadeira de dentista, rendeu bons frutos.  Pode parecer filosofia cristã, mas meu íntimo companheiro certificou que depois da dor, vem à bonança.

Não foi fácil. Doeu pra caralho. Cheguei a cogitar que as dores, todas as que eu conhecia, eram absurdamente inferiores a essa dor específica que é endireitar os dentes. Acredite, um aparelho pode doer mais que um coração partido. Mesmo que este coração tenha sido destronado e picado em pedacinhos.

Muitas vezes, eu chorava em frente ao espelho, como uma adolescente de 17 anos. Entre apertos semanais e mensagens esperançosas, eu percorri esses 4 longos meses. Mas agora que tudo acabará em duas semanas. Pensei até em fazer uma camiseta com a seguinte frase: “Aftas, rasgos e pontas de metal - eu sobrevivi.” – para eternizar o momento. Seria uma poesia visual, para encorajar os medrosos.

Tenho que admitir: não terei saudade do meu apetrecho. Mesmo ficando mais jovem. Ou recebendo cantadas imaturas ao meu sorriso prateado. As pessoas puxavam assunto, contam seus dramas pessoais, quando tiveram seus próprios bichinhos metálicos. Ganhei alguns bons amigos, dei meu primeiro beijo. Imaginei que poderia até ser feliz, mesmo com a boca rasgada. Foi engraçado. Mas a minha juventude disfarçada não me fará falta.

O importante agora é que sem ele, eu volto a comer torresmo na feijoada, quebrar halls preto e tomar coca-cola. As alfaces não ficarão mais grudadas em todos os poros do meu aparelho. Toda a comida que era armazenada entre esses gentis quadradinhos de metal, irá para o lugar certo. Vou engordar 2 quilos felizes. Inclusive, declaro que depois da retirada do aparelho, entre uma garfada e outra, acrescentarei um sorriso largo e sincero, para todos os presentes no restaurante. E o melhor, novamente poderei escovar os dentes com o dedo indicador, caso seja necessário.

Como uma amante saudosa, a minha língua acariciará os dentes libertos. Por horas, os dois amantes irão dialogar e espalhar saliva, numa dança constante. O batom vermelho, antes esquecido, beijará a minha boca por 2 semanas consecutivas. Vou passá-lo até para dormir. Mesmo que suje o lençol, mesmo que eu acorde borrada. Minha felicidade será vermelha. Sem apertos, sem barulhos dentários.

Em 15 dias, eu volto a sorrir para os estranhos.

segunda-feira, julho 12, 2010

quarta-feira, julho 07, 2010

Apareceu essa noite. Beijou a minha boca. Disse as mesmas palavras de sempre. Arrancou minhas onomatopéias. Garantiu o amor impossível. Pediu que eu me atirasse naquele rio imenso. Ele queria me afogar de novo. Incansavelmente. Tentei acordar, fui impedida. Enquanto me revirava na cama, o seu cheiro característico invadia o quarto. Lambia a minha pele. Dançava com a minha razão. Ele enfraquecia todas as certezas. As pernas tremiam, o peito pulsava. Eu entregava ao meu torturador os pequenos pedaços de mim. Fraca, aberta, acolhedora. O desejo que se instaurava no meu corpo adormecido. Acordei molhada de raiva e saudade.

terça-feira, julho 06, 2010



photoshop seria o super-ego contemporâneo?

Quando passo pelas ruas, assisto uma quantidade de imagens falsas. A perfeição humana está estampada por todos os lados. Não digo só do material gráfico, das revistas de moda, da publicidade babaca. Incluo as mesmas festinhas de sempre, com meninas iguais, derivadas de tons negros. Nossas gremlins reproduzidas nas madrugadas. Ou as microcelebridades que não pisam no chão. Pequenos brinquedinhos de plásticos. Falta o espontâneo, o verdadeiro. É como se a vida, para ser bela, precisasse de bons ajustes de photoshop. Isso me dá nos nervos. Talvez eu tenha nascido na época errada. Gosto do estranho, do peculiar, do mal acabado. Nada mais afrodisíaco que a verdade estampada. Prefiro abolir as máscaras, trabalhar apenas com real e ter olhos para sugar poesias cotidianas. 

quinta-feira, julho 01, 2010

O aluguel não foi pago, o contrato foi suspenso. Não adianta ter chave, nem conhecer o porteiro. Sou impedida de entrar. Não existe mais cama, travesseiro ou seu beijo na madrugada. A nossa casa virou um enorme quebra-cabeça com peças perdidas entre os meus vazios. Os sonhos foram empacotados e mandados para fora do país. Você trancou a porta, me atirou pela janela. Agora estou submersa em férias intermináveis, doses de whisky, cigarros mentolados, baseados e afins. Entregue a cidade desconhecida, a mesma cidade que já foi minha. De outra forma, em outro estado. Eu sinto o gosto do concreto, eu rabisco poemas nas quadras. Consumo todas as filosofias de botequim. Agora sou apenas mais uma parte da cidade. A minha casa está em mim, todo o resto é deleite.