Domingo, Julho 12, 2009

a música liberta...
Dia de lembrança. Fiquei deitada por horas. Depois vieram as fotos, a saudade do efêmero. Cachoeiras, risadas, café preto. Deu vontade de jogar tudo para alto. Virar hippie, sair sem destino. Acontece pelo menos uma vez por mês. É um desejo genuíno de voltar às origens. Vida leve. Pessoas insistem na besteira cristã que temos que sofrer para sermos felizes. Porque acreditar nessa bobagem desnecessária embalada por uma ideologia falida? Nós podemos muito mais. Em cada nascer do sol, sou mergulhada dessa certeza. A minha caminhada é feita em cima de pétalas de rosas brancas. Meus passos são marcados em peles saborosas. Dos meus beijos escorrem poemas rimados. Sou vento que dança descontinuamente pelo mundo. A felicidade existe, ela sorri principalmente aos domingos.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Pobre menina de 26 anos perde 10 minutos da sua noite deslizando suas mãos sobre um potinho da natura. Acne? Idade. Marquinhas bem vividas. Principalmente ao lado dos lábios. Dois riscos finos, porém presentes. Excessos de risos. Não é que a felicidade envelhece? Gargalhadas malditas. Ainda bem que o mau humor deixou para a irmã mais nova. Imagina mais dois traços no meio daquela bela sobrancelha?

Era hora de começar a passar filtro solar todos os dias e o bendito creminho todas as noites. As duas obrigações politicamente corretas enchiam sua cabeça de dúvidas: Ficaria com a cara branca a partir de agora? Como faria quando fosse dormir com um gatinho? Levaria o novo companheiro na bolsa? Ou manteria em segredo? E se ele achasse vaidosa demais? Ou babaca e neurótica? Como iria arcar com essa nova despesa mensal? Deveria revelar para amigas? E se ela perdesse todas suas expressões e virasse a barbie?

A idade era um inimigo antigo. Quando tinha 15 anos, queria ter18. E agora mais perto dos 30, a vontade era voltar para os 22.

O creme surgiu no meio de uma roda esfumaçada. Um amigo viado (27) relatou sobre a tal juventude encaixotada. Chronos 25 – o mais novo lançamento. A divindade da mitologia grega oferecia a borracha perfeita para apagar todas as noites mal dormidas de uma garota de 25. Parecia maravilhoso parar o tempo e continuar dançando acelerada. Nada mais de estórias impressas no rosto. Apenas lembranças suaves e a maturidade escondida por trás da melissa de bolinhas.

Foi assim que se rendeu ao filho de urano. E agora, no espelho, espalhava seu sêmen e ampliava o medo de envelhecer. Deveria comprar o creme específico para áreas dos olhos? Talvez fosse cedo, ainda nem tinha saído da casa dos pais. Faltava estabilidade financeira, a maturidade necessária. O mundo estava apenas começando a rodar e ela perdida em potes de creminhos infames.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Deu uma vontade inacreditável de sair de casa nessa madrugada de domingo para segunda. Palavras estão sendo escritas sobre o tal dia. Mas ainda não tive coragem de escolher as rimas exatas. De dar o tom certo para o texto. Por isso, não postei. A verdade é que ando bem desleixada com esse blog. Ele está um misto de lamento e justificativas. Encarar os meus textos para o livro me deu uma boa brochada. É muito difícil eu reler minhas letras. Eu me sinto uma babaca imatura. Clichê. Uma insegurança enorme. Parece que todas estão embaralhadas. Que vaidade é essa de me intitular como escritora agora? O que são meus textos perto dos meus livros favoritos? Ninguém. Falta ler, viver, imaginar, dedicar, rezar, ousar, errar. São mil verbos para serem conjugados apenas por dois sujeitos. Eu e o meu ego gigantesco.

Tudo bem, leitores. Minha intoxicação por excesso de mim passa rápido. Mas como sei que é um saco entrar aqui e não ler nada de muito interessante, ai vai um pouco de Clarice Lispector ( para alegrar a noite) :

Brasília é construída na linha do horizonte. - Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. (...) Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia - minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. - Quando morri, um dia abri os olhos e era Brasília. Eu estava sozinha no mundo. Havia um táxi parado. Sem chofer.
espaço
texto sobre Brasília - originalmente publicado no Jornal do Brasil, em 20 de junho de 1970. Leia o texto na integra blog olhar estrangeiro!
beijo

Domingo, Junho 28, 2009

Ai, que preguiça de mim...

Sexta-feira, Junho 26, 2009

É assim: eu continuo te sacando pelas beiradas. Mesmo que doa ou sangre. Meus olhos procuram uma noticia inverossímil. Um alarme falso. Aquela esperança qualquer. Sou uma louca viciada que quer ver a sua vida derramada na minha. É a culpa é apenas tua por ter enchido um coração de palpitações frustradas. Você me adoeceu, cara. Estalou uma espera infinita e esqueceu-se de doar pontos finais. Agora é tarde. É na madrugada que os pés são calçados de futuro.
O rei do pop morreu.
Seus assassinos espalham a notícia.

Domingo, Junho 21, 2009

Dias seguidos de palavras sem rimas. Comecei quatro textos, não conclui nenhum. Idéias soltas, desconexas. Parece que nada está realmente bom. A vida se esconde debaixo das cobertas. Brasília faz 12 graus. Sai fumaça da boca, entra solidão no peito. Continuamos a nossa procura. Respira, começa de novo. Não há porque fugir do papel/tela/encontro. O caminho é árduo. Ou seria ardor? Prefiro a segunda hipótese. Pouco importa. A segunda se inicia daqui a pouco. Cartas de tarô, trânsitos astrais, i ching. Somos efêmeros como pássaros que seguem. Não existe parada, morada, escolha. Como posso entrar num mundo novo sendo a mesma?

Terça-feira, Junho 16, 2009

Publicação da minha fresta.


Pronto. Eis o motivo pela abdução dessas duas semanas. Um novo filho virtual. Meu primeiro E-BOOK! Achei que a obra ficou bem charmosa! Mas sabe como é mãe... O Rafa Braga que fez todo o trabalho de diagramação. Um anjo na minha vida! Agüentou as minhas dúvidas, serviu vinho e castanhas para acalmar o meu trabalho de parto. Também não posso esquecer da super mão da Joanne, tentando dar ordem ao meu caos. Quem mais poderia ser tão prestativa do que uma libriana? Avalia e diz verdade de uma forma doce! Ainda tem os inesquecíveis olhos pretos do André e seus comentários gostosos que fazem toda a diferença no meu mundinho. Ah, e lógico. A responsável pela minha futura aprovação no FAC, a minha prima linda revisou o projeto inteiro nessa madrugada.

Agora que a sorte foi lançada, é só torcer muito. Enquanto o sim não chega, já dá para baixar o livro. Ou folhear por aqui mesmo. Divirta-se! =]

ps: tive um dos melhores dias dos namorados da minha vida. regado a pizza, poesia e violão. depois eu conto mais detalhes por aqui... saudade de todos... um beijo.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

para acalmar o mundo...

Se cabelos são lembranças, quero cortar todos os fios. Nada de sorrisos, nem lágrimas tolas. Apenas ausência. Ou solidão necessária. Aquele rei será deposto, o governo destituído. E o meu vestido, doado. Nada de flores pelo caminho. Muito menos espinho. O vazio será a mais bela companhia da dor. E assim, na falta de mim, haverá excesso de palavra.