sexta-feira, dezembro 25, 2009
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Versão Estilista
domingo, dezembro 20, 2009
Engarrafada, enfeitada de luzes, a cidade veste seu colar de brilhantes e rubis. A fumaça dança sobre o meu corpo costurado. Aperto um, dois, três. Há apenas uma fila muda. Os sinais alternam suas cores e alimentam os penosos pardais. Eles medem os passos, sugam o desejo e tiram fotografias. Todas essas setas confundem os meus caminhos. E encaminho as minhas dores por email. Cadê você que não responde minhas letras?
Carros parados, ônibus lotados e pés descalços. A chuva benze todas as peles secas. Da poeta marginal ao engravatado. Os urbanóides procriam expectativas, agarram ilusões e insistem em misturar água e óleo. Meus vôos exigem pousos. Não posso caminhar nesse asfalto quente. Preciso que algo me impulsione para longe do eixo.
sábado, dezembro 05, 2009
sábado, novembro 28, 2009
segunda-feira, novembro 16, 2009
sexta-feira, novembro 13, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
(des)esperar - Mostra Candanga
ps: Se vc já assistiu, reapareça ! Temos novidades! =]
sexta-feira, novembro 06, 2009
Aflição de ser eu e não ser outra.
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Hilda Hist
quarta-feira, novembro 04, 2009
Válido durante muitos meses : Este será um momento de novas atividades e novos contatos, alguns bastante inesperados, que lhe trarão emoções e crescimento. Sob esta influência, você não estará satisfeita com sua rotina diária, o que prenuncia a chegada de uma época que lhe permitirá romper com os condicionamentos do dia-a-dia e introduzir em sua vida novos elementos, podendo assim manter-se psicologicamente viva. Em razão de tudo isso, será capaz de realizar coisas quase extraordinárias durante este trânsito. Em tudo que fizer, terá a chance de mostrar facetas suas que talvez ninguém ainda tenha percebido, inclusive você mesma. Por conseguinte, este é um trânsito de descobertas e crescimento pessoal que pode adquirir muita importância em seu desenvolvimento psicológico, além de ser interessante e emocionante.
Trânsito selecionado para hoje (pelo usuário):
Marte Trígono Urano, , exato às 09:44
Período ativo desde 3 Novembro 2009 até o final de Abril 2010
quinta-feira, outubro 29, 2009
Antes de partir
Acusada por olhares superiores, minha pornografia barata. Deveria estampar a minha dança sobre o teu corpo rígido. Uma, duas, dezenas de vezes. Me derreter sobre teus braços para ganhar a batalha. Ir longe, submersa. Rasgar qualquer fresta descuidada. Você deveria ser meu, irremediavelmente.
É tarde para recomeço ou suicídios. Você invade as minhas palavras. Presa entre as letras, a mulher que não sou. A dor que escondo, o filho abortado. Há pedaços em todas as cidades que se deve partir. Não se preocupe. A tua outra parte, segura e pré-estabelecida, cuidará das tuas tempestades.
E quanto a mim, lembrança tola, sou cidade esquecida.
sábado, outubro 24, 2009
Tight Lacing
Tightlacing ou "laço apertado" em uma tradução literal é o nome dado à prática de usar um corset por longos períodos, no intuito de alterar a silhueta reduzindo a cintura. Espartilhos genuínos são geralmente feitas por um corsetmaker e que deve ser montado especialmente para o usuário individual.
Procuro um desses milagreiros aqui em Brasília. Caso alguém conheça, entre em contato! =]
beijinhos
segunda-feira, outubro 19, 2009
Para que o vento eleve e lave
A tua paisagem da minha escadaria.
segunda-feira, outubro 12, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
AMOR LOUCO (AL)
terça-feira, setembro 29, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
Ser ambíguo deslizando sobre uma corda bamba
segunda-feira, setembro 21, 2009
quinta-feira, setembro 17, 2009
segunda-feira, setembro 14, 2009
sábado, setembro 12, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
que sempre te surpreende
e chupa seu sangue.
Me alimento de teu suor,
de tuas lágrimas,
de teu sêmen.
Tiro o teu folego
e te penetro te beijando
até nem saberes mais
que vivo dentro de ti.
Como parasita.
Como uma serpente.
Como um vírus.
Sou teu coração e tua merda.
Sou teu cérebro e tuas mãos.
Sou teus pés e tua língua.
E assim vou te enlouquecendo
como um demônio encerrado em teu peito.
Serás minha irremediavelmente.
A mulher do diabo.
E quando eu dormir,
porque então continuarei dormindo,
cravarás tuas presas em minha garganta
e serás a vampira
e chuparás meu sangue.
E te alimentarás do meu suor,
de minhas lágrimas e de meu sémen.
Tirarás meu fôlego
e me penetrarás me beijando
até a alma.
E viverei dentro de ti.
E tu viverás dentro de mim.
Pedro Juan Gutiérrez
domingo, agosto 30, 2009
quarta-feira, agosto 26, 2009
FAC
Para os artistas independentes, o FAC é a principal oportunidade de desenvolver suas pesquisas e receber um salário por esse trabalho. Sabemos o quanto é difícil sobreviver fazendo arte no nosso país. Poucos consumidores, uma mídia vendida, incentivo zero. Ser artista é estar sempre na margem.
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Há uma falta de organização inacreditável dentro da secretaria. O resultado do FAC saiu em forma de números no diário oficial. Porém os inscritos não têm acesso ao seu número de cadastro. O site que contém essas informações foi retirado do ar. A maioria dos artistas não sabe ainda se ganharam o edital.
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segunda-feira, agosto 17, 2009
(des)esperar na Ceilândia
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18 de agosto (terça)
Pequena parte do futuro, pra você que entrou por aqui. Melhor poucas letras do que nenhuma palavra. Assim o blog não fica tão vazio e triste. Fim de semana, eu acabo. Tenho tempo. Sou sobra.
quinta-feira, agosto 06, 2009
Estado de Choque
terça-feira, julho 21, 2009

domingo, julho 19, 2009
domingo, julho 12, 2009

terça-feira, julho 07, 2009
Era hora de começar a passar filtro solar todos os dias e o bendito creminho todas as noites. As duas obrigações politicamente corretas enchiam sua cabeça de dúvidas: Ficaria com a cara branca a partir de agora? Como faria quando fosse dormir com um gatinho? Levaria o novo companheiro na bolsa? Ou manteria em segredo? E se ele achasse vaidosa demais? Ou babaca e neurótica? Como iria arcar com essa nova despesa mensal? Deveria revelar para amigas? E se ela perdesse todas suas expressões e virasse a barbie?
A idade era um inimigo antigo. Quando tinha 15 anos, queria ter18. E agora mais perto dos 30, a vontade era voltar para os 22.
O creme surgiu no meio de uma roda esfumaçada. Um amigo viado (27) relatou sobre a tal juventude encaixotada. Chronos 25 – o mais novo lançamento. A divindade da mitologia grega oferecia a borracha perfeita para apagar todas as noites mal dormidas de uma garota de 25. Parecia maravilhoso parar o tempo e continuar dançando acelerada. Nada mais de estórias impressas no rosto. Apenas lembranças suaves e a maturidade escondida por trás da melissa de bolinhas.
Foi assim que se rendeu ao filho de urano. E agora, no espelho, espalhava seu sêmen e ampliava o medo de envelhecer. Deveria comprar o creme específico para áreas dos olhos? Talvez fosse cedo, ainda nem tinha saído da casa dos pais. Faltava estabilidade financeira, a maturidade necessária. O mundo estava apenas começando a rodar e ela perdida em potes de creminhos infames.
quinta-feira, julho 02, 2009
Tudo bem, leitores. Minha intoxicação por excesso de mim passa rápido. Mas como sei que é um saco entrar aqui e não ler nada de muito interessante, ai vai um pouco de Clarice Lispector ( para alegrar a noite) :
Brasília é construída na linha do horizonte. - Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. (...) Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia - minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. - Quando morri, um dia abri os olhos e era Brasília. Eu estava sozinha no mundo. Havia um táxi parado. Sem chofer.
sexta-feira, junho 26, 2009
domingo, junho 21, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
Publicação da minha fresta.
sexta-feira, junho 05, 2009
para acalmar o mundo...
quarta-feira, junho 03, 2009
domingo, maio 31, 2009

quinta-feira, maio 21, 2009
Incompleto - como a vida.
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quarta-feira, maio 13, 2009
segunda-feira, maio 04, 2009
Com Licença Poética do Carlos Drummond de Andrade

Tinha um desvio no meio do caminho,
Assim como a pedra, tinha o desvio.
Tinha um grupo de amigos, tinha uma filha
E principalmente tinha uma fuga.
Eu estava no meio, como coadjuvante.
O que entender desse meu amante?
Que não me come, que não me beija.
Que não me surpreende no meio do banho.
Há de ser um fim de grande tamanho
Que se segue nesse meu caminho.
Eu que vim de longe, eu que viajei o mundo
Eu que me perdi seu corpo em poucos segundos...
Conjuguei a palavra saudade,calcei pedra por pedra desse chão.
Agora me fala o que eu faço para colar esse meu coração?
Não sou poesia fria, não sou mulher calada.
E mesmo com corpo em chamas, ele me cobre de nevoada.
Eu que não tenho casaco, eu que não tenho morada.
Eu que segui por esse caminho e perdi em sua cilada.
Há uma cozinha fria, há as lágrimas no colchão
Minha confusão de sentidos me jogou no meio da contra mão.
Não se pode esperar promessas ou construir castelos de areia.
Somos benzidos pela vida incerta, pelo canto da sereia.
As palavras sopram verdades na cara da poeta.
São cartas, curvas, precipícios e setas
E, no meio da estrada, minha dúvida resiste:
Subo, desço, desvio ou sigo?
(quando amanhecer eu decido!)
Palavras abortadas espontaneamente na madrugada do dia 19 de abril de 2009.
sábado, maio 02, 2009
E enquanto eu organizo as minhas lembranças, leia os textos antigos. Juro postar novidades na semana que vem!
Um beijo ao desconhecido.
sexta-feira, abril 03, 2009
Insônia
Poeminhas Insossos
Não pode ser sempre assim:
Parando no meio do caminho
E trocando de estrada!
Quantas paisagens já foram vistas?!
Quantas frutas saboreadas?!
Não me adapto a nenhuma.
Não sou de nada.
Meu posto parece ficar bem adiante...
Não se chega com os pés no chão,
Com os olhos secos ou certezas no coração.
Meu posto é dos aflitos.
Dos que tem conflitos.
Do elo perdido.
Da vazia mão.
No meu posto não tem majestade.
Tem malandragem e solidão.
II
Ao amor, oferecemos umbigos.
E a certeza que seremos breve.
Uma noite leve... Um coração incerto.
Esquecimento impuro e desonesto.
A maior dor é de quem caminha,
E não consegue parar.
segunda-feira, março 30, 2009
Quero fazer Nada
Depois de um fim de semana cansativo, vem a segunda-feira. E com ela, a sensação que tudo deve recomeçar, mesmo sem ter acabado ainda. A correria se estala já com o despertaDOR as 8 da matina. Parece que quando não se tem emprego fixo, a gente trabalha muito mais.
Ligações, decisões, internet. Vou digitando as letrinhas com afinco. Uma a uma. Em busca de um apoio que me deixe trabalhar em paz. Sou dependente de Sins. Vou mendigando, vendendo a alma. Tudo por amor a um deus egoísta.
Depois do almoço, tenho um tempo livre. A tarde vai ser imensa. Distribuirei 20 sorrisos de 1,99 para cada jornalista da cidade. Digestão do arroz com feijão, e uma momento mágico na rede. A descoberta sobre um clube de nadismo.
Nadismo é o simples e delicioso ato de não fazer nada! O objetivo desse clube era conjugar o verbo “nadar”, no sentido seco da coisa. Criar um momento especial que ofereça a oportunidade rara de efetivamente parar e não fazer coisa alguma.
Não pensei duas vezes e me filiei ao nada. Não são todas as segundas-feiras que achamos idéias interessantes na internet. Descobri que os eventos para a prática do nadismo são públicos e acontecem em tranqüilos parques.
Fechei os olhos e me imaginei dentro de um cubo branco, estatelada, saboreando as minhas horas vagas em pleno parque da cidade. Aquele silêncio, a mente tranqüila. A suavidade sorrindo sem a mínima pressa. Eu e o nada. Um caso de amor eterno.
Exatamente na hora do beijo, o celular gritou. Depois, o MSN chamou a minha atenção e tive que me despedir daquele doce de coco. “Pode deixar que amanhã, eu volto e trago reforço.” Em tempos de guerra, praticar o nada é coisa séria.
Segue as diretrizes da prática do Nadismo:
1- STOPNJOY!
Este tempo é totalmente seu para que você desfrute o fazer nada sem pressa.
2. ENTREGUE-SE!
Abandone a intenção de fazer nada. Esqueça qualquer objetivo, o nadismo não tem nenhum propósito.
3. SOSSEGUE!
Privilegie o silêncio e a imobilidade.
4. OBSERVE!
Evite ocupar-se mentalmente. Deixe a mente vagar como as nuvens.
Para se filiar, ler e beijar – Clube do Nadismo.
quarta-feira, março 25, 2009
segunda-feira, março 23, 2009
terça-feira, março 17, 2009
Cheia, felpuda, grisalha.
Naquele quarto suado, as mãos ainda abraçam os corpos. O cheiro se espalha por toda a casa. Nossa cortina improvisada exibe o show para os vizinhos.
Você, enorme, dentro de mim. E eu, fazendo o café da manhã.

quarta-feira, março 04, 2009
Vik Muniz

Alice reencontrava pedaços. Buda, chaves, cartão de credito e olhos de vidro. Uma mistura contemporânea sobre a nossa simplicidade. Eu, exibida em todas aquelas fotografias, entregue para o mundo. Ora pó, ora perfume - pronta para ser cheirada.
Naquele prato sujo de molho de tomate, meduza marinava. Seguíamos de boca aberta, passo a passo, daquele jardim desenhado por ele. Lambíamos as telas, saboréavamos cores, bebíamos conceitos. Um enorme banquete de arte degustativa para famintos do terceiro mundo.
Assim - e de todas as outras formas - é o trabalho de Vik Muniz. Sua poesia perecível, seus olhos ilusorios.. A ambiguidade gostosa destilada entre o minimo e o imenso, entre diamantes e lixo, entre real e o lisérgico. É de se empanturrar de tanto sabor!

Exposição 'Vik' - Museu de Arte Moderna (MAM). Av. Infante Dom Henrique, 85. Tel: 2240-4944. Ter a sex, de 12h às 18h. Sab, dom e feriados, de 12h às 19h. R$ 8 (inteira). Até o dia 22 de março no Rio de Janeiro.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
estamparias de azulejos

Preferir o silêncio da chuva rala que molhava a janela.
A ausência se fazia presente em cada tom dos azulejos azuis dessa cozinha, por arrumar. E eu não entendia você.
Encostado no balcão, com as ironias de sempre, de braços abertos, pedindo poesia pra sobremesa. Uma letrinha qualquer, uma rima solta. “Apenas mais um gole do nosso passado que estar por vir, querida.”
Metáforas são pimentas nos olhos. O tempo nem sempre escorre pelas beiradas. Às vezes, um amor não passa. Deixa desejos que pulsam entres os olhares escondidos num bloco de carnaval carioca.
Você sabia que eu não gostava do sorriso dela. Era falso, exagerado, estranho. Aquelas mãos de dedos finos e brancos apresentavam um cheiro de anticéptico irritante. Politicamente correta, a tua perfeita.
Enquanto nesse tempo todo, ela tinha a chave da casa, eu tentava arrombar sua janela. E agora, você decide virar estamparia do meu azulejo?
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Meu 1º Conto Erótico
Engraçado que ao encontrar a folia, já três das bolinhas foram abduzidas por uns marinheiros do Rio Grande do Sul. Eu e as outras continuamos a nossa caminhada entornando caipirinhas, beijando desconhecidos e cantando marchinhas de carnaval.
Na metade do bloco, começou a cair o céu. Era água para todos os lados, a gente nadava e se amassava com qualquer um. Lembro que estava aos beijos com um palhaço carioca, quando a mão da Carol me puxou e entramos as duas em um pub irlandês. A Carol ainda não tinha desenvolvido a técnica de fazer xixi em qualquer lugar, e achou que a Irlanda seria uma boa opção.
Ao entrar no bar, encharcadas e com um palmo de tecido preto de bolinhas brancas, cobrindo o corpinho, viramos alvo de todos os olhares da platéia. O bar estava atolado de gringos branquelos, casalzinhos sem sal e um barman delicioso.
Enquanto a minha amiga correu para sua redenção, eu tratei de sentar no balcão e pedir uma caipirinha de morango com gengibre. Adoro gengibre e todas as suas variações. O barman delicioso amassava as frutinhas, enquanto eu jogava charme fazendo perguntas idiotas.
Tinha um sotaque de paulista e um corpo super definido. "Quantas horas ele devia perder na academia pra ficar daquele jeito? Um homem desse só serve pra trepar mesmo... Alias deve ter um fôlego! ". Tenho que admitir que depois das várias doses entornadas no tal bloco de carnaval, antes de chegar à Irlanda, fez com que esse fato, de só saber trepar, já me deixasse bem atiçada.
Algumas horas depois estávamos íntimas da nossa presa e ela fazia questão de não demonstrar preferência por nenhuma de nós. Atenciosa, jogando charme e entupindo a gente de cachaça, a noite foi passando depressa. De repente, só estávamos eu e Carol no pub. Uma moça acabando de passar o pano no chão, e os garçons indo embora. Rodrigo (ou seria Marcelo?) tinha a obrigação de trancar o estabelecimento e pediu pra gente esperar.
Puxei minha comparsa num canto. O que faríamos com um homem daquele tamanho, e ainda por cima carente? Sugeri a divisão de irmã. Tinha certeza que ninguém ia sair no prejuízo, mas Carol era avessa a mulheres. Era daquelas pessoas que morrem de vontade de experimentar, mas não tem coragem de dar o primeiro passo. Expliquei que isso era uma bobagem, ainda mais depois da quantidade de álcool que tínhamos no sangue. "Pra que pensar no amanhã, quando o hoje tá de pernas abertas?"
Às vezes acho que devia ter sido publicitária. Joguei um pouquinho da minha filosofia barata de boteco e Carol estava convencida, apenas me pediu para eu manter a minha boca longe. "Nada de lambeções!", disse meio que nervosa, meio que excitada. Bom, dei uma risada e continuei o plano.
O Marcelo voltou da cozinha e pediu pra gente fechar a conta. Pagamos a bagatela de 45 reais e 72 centavos. Ainda bem que a chuva não tinha molhado o meu cartão de crédito. A medrosa da Carol começou a se despedir de Rodrigo, e eu via a chance do ménage à tróis dos sonhos escorrer pela privada. Precisava fazer algo muito rápido. Foi aí que soltei o convite pra esticarmos a noite no meu apê alugado em Copa. O Barman olhou pra mim com os olhos brilhantes. E cinco minutos depois, estávamos andando os três pelo calçadão.
Chegamos à minha pequena casa. Mais vodca, jazz na vitrola e um sofá de couro branco. Surpreendo Carol com um beijo, Rodrigo enfia a tua língua dentro da gente. As mãos começam a dançar sobre os corpos e, as nossas fantasias de bolinhas enfeitam o chão. Três corpos nus, destituídos de regras e cobertos de vontades. Orifícios são lambidos, peitos abertos, mordidas aprovadas.
Uma língua macia me lambe, outra certifica meu batimento cardíaco. Beijos são trocados numa variação rítmica intensa. Meus dedos dialogam com os segredos de Carol, a minha boca busca sugar todo gosto de Marcelo. Minha alma pertence ao infinito. Entradas, saídas, encontros, despedidas. Tudo parece rodar sobre as nossas cabeças, naquele pequeno apartamento. O suor transforma um corpo em algo leve, liso e altamente adaptado ao outro corpo. Ao outro não, aos outros. Acendesse um incenso hedonista, que abarca todos os cheiros e recheios daquela sala.
Em pé, no meio, entregue. Ela beijava os meus lábios, meus ombros e meus seios. Ele lambia a minha nunca, mordia as minhas costas e me chupava incansavelmente. Fui desmontando até o chão, e aquelas bocas me seguiram. Conversavam. Arrancavam pedaços. As mãos dele puxaram o meu quadril, e me conduziam até seu pau. Aberta, escancarada, eu recebia aquela benção. Travava o objeto do meu desejo entre as minhas pernas. Ele metendo com tal facilidade, num crescente, enquanto eu cravava as minhas unhas pretas com força nas tuas costas e o jazz tocava ao fundo.
Somos partes espalhadas sobre o chão. Somos líquidos escorrendo pelas paredes. Estamos sós, inteiros, submersos. Somos três vozes que ecoam todos os desejos do mundo.
Devia ser onze horas da manhã, quando escutei a porta bater. Manhã de Carnaval. Marcelo/Rodrigo tinha se soltado do nosso emaranhado de corpos, e desaparecido. Carol permanecia pelada e apagada com a cabeça no pufe, e eu me levantei como pude, e fui pegar um copo d’água. Abri a geladeira, achei uma lata de coca, enchi o copo de gelo e encharquei minha ressaca. Sorri, sozinha, por dez minutos. Era carnaval.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
O abraço da minha camA
domingo, fevereiro 01, 2009
Re-Partido
