sexta-feira, junho 05, 2009

para acalmar o mundo...

Se cabelos são lembranças, quero cortar todos os fios. Nada de sorrisos, nem lágrimas tolas. Apenas ausência. Ou solidão necessária. Aquele rei será deposto, o governo destituído. E o meu vestido, doado. Nada de flores pelo caminho. Muito menos espinho. O vazio será a mais bela companhia da dor. E assim, na falta de mim, haverá excesso de palavra.

6 comentários:

lorena albuquerque. disse...

Gostei do seu blog. Amo a sua cidade.

Abraços!

Nirton Venancio disse...

Patrícia, cheguei aqui através do C do Correio. Estamos sob o mesmo céu do cerrado, entreabertos na poesia.
Agora, me dê licença que vou ler seu blog.
www.nirtonvenancio.blogspot.com
www.olharpanoramico.blogspot.com

ANILIAH disse...

prima...
vc escreve cada dia melhor.
manda o dvd e a ficha tecnica com o termo de autorização para a mostra de curtas ta.
passa lá no meu blog.
muitas novidades tb. bj

Adriana Lodi disse...

è minha linda vazio e solidão tão transparentes! amei esse e concordo com a sua prima : cada vez melhor

Alex Ribondi disse...

Na janela, galho. Quase.
Varal, vestido, marola.
Vento lambe telhado.
Cinza, longe.
Na estrada, tardinha.

Tai disse...

Odalisca Andróide

"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador."

Fragmentos do texto Disco Voador do (Fausto Fawcet)