segunda-feira, julho 30, 2007

Entre a Espera e a Procura:




Solta, entregue ao acaso. O meu corpo balança, oscila, dança num medo constante de procurar... Talvez por ter procurado em demasia. Um corpo ativo, pulsante, pedindo movimento. Um tormento! Porque que a Espera não compreende o ritmo do mundo? Parece tão segura, suave, madura. Fingindo estar parada. Olhando de longe, ela até lembra a calma, mesmo escondendo o seu apressado coração na boca.
Diferente da procura, essa mulher ativa! Caçadora nata, que vive por um segundo e sai numa busca desesperada ! Parece uma menina... Dessas que correm com o vento e tem alma de fogo. A minha Procura não gosta do tempo e está sempre a ponto de devorar!
Eu procuro... Eu espero! Esperar procurando ou procurar esperando?
Entre as duas: a corda bamba. A dúvida de não vir e a esperança de chegar num mesmo corpo solto. Ou Tenso. Tensão.Temor. Talvez... E tudo tem um equilíbrio instável. É como o segundo que antecede o pulo do gato. Tudo está aqui, pulsando. Será que corro para pegar ou espero chegar aqui?
Eu me (des) espero!

sábado, julho 28, 2007

Olhos de Serpente



Todos os dias, eu lembro de você. E como se você fosse uma praga. Praga teimosa. Sabe dessas pragas que matam a gente lentamente? É você. Você e seus olhos. Uma doença incurável. Vem cá, porque eles me seguem, em ? Me olham, me focam, me seduzem? Um veneno doce que eles fazem questão de introduzir lentamente no meio das minhas pernas bambas e cansadas. Esses seus olhos de serpentes. Eles chegam se arrastando, dançando com o meu corpo, me envolvendo, subindo entre as minhas coxas lisas e vão lambendo a minha dor. Por mais que eu tente empurrar , morder, gritar para os quatro cantos o quanto eu os odeio. Eles continuam me visitando. Uma visita quase diária, rotineira e incansável. Com uma musica, um recado, uma dor no peito, uma ligação inesperada... Isso quando não parece furtivamente no meio do meu espelho vermelho retorcendo a minha imagem. Esses olhos perversos que atravessam o meu corpo e meu juízo. Quando eu os vejo perdido,ou a procura de sua presa, eu, eu tento virar o rosto. Fugir pelos cantos, pelas frestas. Mas eles são como um imã. Um vicio. Simplesmente um vicio. O vicio dos olhos de serpente. Que atraem, sugam e destroem a mente de presas desprotegidas que vagam as ruas sem esquinas ou ilusões.

Encontro com o mar



Espero o nascer do sol,

Para buscar o caminho do mar.

Molhar as minhas mágoas,

Na tentativa, enfim, de te lavar.

Caminhar em novos passos,

Esquecer antigas pegadas,

Surfar uma nova onda,

Nadar para ser encontrada.

Pela maresia doce,

Trocarei o seu cheiro forte

Navegarei com o meu cavalo marinho,

A seguir pelas noites do norte!

Quero mergulhar no acaso,

Enterrar você na areia.

Limpar o nosso marasmo,

Conversar com a sereia...

O espelho vai para ela,

Minha querida Iemanjá,

Pedindo para eu te esquecer

E de novo, a mim, voltar.

Bissexual






De tanto destilados,

acabei do outro...

Sra. Esperança Teimosa




Sopro pra longe a minha esperança
( Essa que já está cansada)
Por que sei que a gente se perdeu
( Sei, mas não aceito)
E do pouco que fomos
( E muito que imaginei)
Só sobrou ela e eu...

Clichês Mofados





São 3 horas da amanhã, EU ME SINTO MAL... Talvez eu tenha bebido demais para uma quarta feira, ou melhor, quinta. Por saber que amanhã nesse mesmo horário eu estarei também nesse mesmo estado... ou pior! Porque amanhã eu vou querer me acabar, fingir que sou a mulher mais feliz do mundo e que sou muito, MAIS MUITO BEM COMIDA. Mas depois que o show terminar (porque eles sempre terminam! ), as lagrimas estarão escorrendo do meu rosto cansado. Nesse nosso teatro a gente NÃO RECEBE APLAUSOS, no máximo um amasso ou possíveis tapas na cara. Disso eu já to cheia. Amanhã, essa hora, estarei perdida. PERDIDA EM QUALQUER CANTO DA CIDADE por não ter tido alguém que me chamasse para conversar, pegasse no meu cabelo suavemente, me desse um colo macio, dizendo : Eu gosto de você! Alguém que SIMPLESMENTE CONSEGUISSE BEIJAR O MEU CORPO sem ter medo do que isso possa representar depois de amanhã... Alguém assim, como você parecia ser para mim.É fato, eu bebi de menos! E agora estou aqui, nessa merda de computador escrevendo esses CLICHÊS MOFADOS como uma menina carente, rosada e boba! Boba por não querer ser ajudada, não mandar esse sentimento para o inferno e NÃO TER CORAGEM de se por novamente disponível. FODASSE TUDO QUE IMAGINEI, a realidade é outra e eu sou ESPERTA DEMAIS para saber que o nosso tempo já acabou! Foi curto, insuficiente e destruidor. Serviu para saber que eu AINDA SOU INGÊNUA O BASTANTE para me atirar de cabeça em relações inseguras. Ando grandinha para andar na corda bamba... Bosta! Queria um copo de wodca agora. Ou um abraço que me tirasse desse lugar... Não acredito que fui lembrar, justo agora, daquela musiquinha melodramática do Arnaldo... SABE A NUMERO 4 DO CD PARADEIRO? Merda, merda, merda!Eu sei, tudo podia ser mais fácil se eu fosse pelo menos razoável. Se eu não pensasse mais em você a cada subida na ponte, se eu fosse madura o suficiente para não falar de você, com brilhos nos olhos, para os outros. E principalmente se eu CONSEGUISSE MATAR A MINHA ESPERANÇA QUASE INFANTIL DE UMA POSSÍVEL VOLTA IMAGINÁRIA... Sim, eu deveria ser razoável!

Montanha russa



Sempre fui acostumada em fazer promessas de ano novo. Dessas que a gente insiste em fazer e dificilmente cumprir. Todo dia 31 de dezembro, pego meu lápis, papel e corro para a minha janela de sonhos. Nessa passagem, depois de reavaliar todas as metas, percebi que tinha esquecido de uma. Uma meta muito importante, talvez muito gasta, mas essencial: Encontrar um amor.

Sou uma mulher que ama demais, que se apaixona instantaneamente, que se atira de cabeça. Eu queria morrer de amor. Uma mulher montanha russa. Ou roleta russa. Um amor rasgado, gritado, onde se faz loucuras, tatuagens, juras... Um amor maior que eu.
Eu e minha montanha russa: subidas, descidas, voltas assustadoras. E a cada passageiro que entrava, eu trilhava o mesmo caminho de amor. Talvez por não conhecer outro caminho, ou por não acreditar que o amor possa ser algo calmo, sereno e previsível .

As pessoas não gostam de andar muitas vezes na montanha russa. A gente dá uma, duas, três voltas. Depois não queremos mais. Ficamos enjoados, casados, irritados. A altura provoca vertigem e preferimos seguir pela a segurança dos pés no chão. È difícil ser amado demais! A gente tem medo de não retribuir, de machucar o outro, de ser tudo fogo de palha. Voltas, subidas, descidas e sempre parando no mesmo ponto: o amor com a eternidade de uma borboleta.

Nesse ano novo fiz uma promessa diferente: vou desfazer trilho por trilho, aposentar o carrinho e vender a montanha russa para o ferro velho. Em troca, vou comprar um barquinho à vela, desses que são guiados pelo calmo vento...

Ame o seu Útero e seja feliz!




Circuncisão reduz à metade Aids em homens
“ A circuncisão masculina reduz pela metade o risco de contaminação de homens pelo vírus da Aids, o que pode prevenir centenas de milhares ou até milhões de casos, disseram pesquisadores na quarta-feira.”
Por Will Dunhamhttp://newsbox.msn.com.br/


Fui surpreendida por essa noticia hoje cedo na pagina do MSN. Fiquei feliz pelos circuncidados, eu já era fã deles mesmo sem saber disso. Sempre tive uma queda , achava mais bonito, interessante, arrojado! E agora sabendo que são mais seguros então... Devem estar pulando de alegria e se enfiando em tudo que canto. Deve ser muito legal saber que eu, homem circuncisado, tenho 50% menos chances de pegar AIDS. Fora todas as outras doenças! Isso significa que eu posso me arriscar mais. Gozar da vida livremente. Optar por uma transa sem camisinha e mesmo assim ter uma vantagem. Deve ser maravilhoso!Já, nós mulheres, por sermos mais fechadas, intimas e porque não aconchegantes estamos no prejuízo. A gente recebe feliz todos aqueles hospedes apresados, que passam correndo entre a nossa caverna escura. E amiga, estamos mais vulneráveis por tanta hospitalidade. As paredes na nossa casinha são menos espessas, do que o nosso amigo intimo Sr. Pinto. Somos mais amplas, espaçosas. E para piorar já foi comprovado que há mais que o sêmen contaminado pelo HIV tem maior concentração de vírus do que a nossa pobre secreção vaginal. Estamos com mais uma desvantagem biológica.Eles, circuncidados. E a gente recebendo de pernas abertas. Cada hora que passa tem mais mulheres contaminadas no mundo. Principalmente as que tem parceiros estáveis. O que fazer? Sim, podemos obrigar o nosso amiguinho vestir a camisinha. Colocar uma placa : Só entra vestido! Mas na pratica nem sempre dá certo. Muitas de nós tomamos pílulas, namoramos há muito tempo (o que, diga-se de passagem, não garante nada!) e achamos que a gravidez é o nosso maior problema. A camisinha às vezes é vista como um objeto incômodo e desnecessário. Tanto por eles quanto por nós.Quantas vezes ele já te pediu para transar sem camisinha, Querida? “ Rapidinho, não vou gozar dentro”. Isso quando já não vão entrando, todo intrometido, mexendo os pauzinhos! E nós, temos que ser fortes e impedir a visita tão esperada! Não quero que isso pareça uma matéria moralizadora e que condenando as mulheres que transa sem camisinha! È um conselho de amiga, de companheira mesmo. Mês passado, uma conhecida, teve que tirar o seu útero. Úterozinho, desses que você também tem um igual. Ela teve câncer no colo do útero causado pelo HPV, uma doença que só manifesta danos em mulheres. É. Talvez eles estejam realmente em vantagem, mas ação é conjunta. A responsabilidade é nossa. Somos as maiores vitimas. É uma merda, uma sacanagem divina, eu sei. Mas ou a gente cuida do nosso corpo e exige a roupinha básica para a entrada no salão. Ou espera as conseqüências. A Solução está entre a nossas pernas. Mas amiga, ame a sua vagina, seu clitóris, seu útero do que um qualquer pintinho.

Arrumando a Casa




Visita 1

Já no primeiro momento, na virada da rua esperança, eu o convidei para dentro da minha casa. Ele não tinha certeza se queria entrar, e mesmo assim eu o convenci. Tentei uma carinha doce, choraminguei um pouco e pedi o seu colo. Esse era dengoso, ou parecia ser. Puxei o moço calmamente pela mão, abri a porta e pedi para que ele limpasse os seus pés. Eu pedi apenas para que ele limpasse os seus pés sujos de lama da sua ultima caminhada. Ele tentou até, passou rapidamente os pés no meu tapetinho azul piscina enquanto eu o arrastava correndo para que conhecesse o meu lar. Ele foi deixando pegadas de lama pela casa... Eu nem percebia, estava tão ansiosa, queria mostrar todos os cômodos da casa! Na primeira parada, eu o apresentei para o meu grande armário. Abri gaveta por gaveta e fui entregando poemas misturados com por do sol. Mas no meio da minha entrega apressada, ele tropeçou nos seus próprios pés sujos. E olhou para toda a sujeira da casa feita pelos seus sapatos. Olhou, de rabo de olho, para inquilina aqui e saiu correndo! Sem que eu pudesse dizer: Espera! Desde desse dia, eu tento todas as manhãs apagar as suas pegadas dentro da minha casa. Eu esfrego com muito sabão feito de razão e derramo litros de lagrimas desiludidas para lavar. Esfrego, esfrego e esfrego. Sempre fica um restinho de lama, um borrado amarelo, no meio da casa. Isso quando eu não descubro uma pegada nova! Ele pisou em lugares que eu nem imaginava... Hoje depois da minha limpeza diária, vou ao um supersamba, procurar um novo produto, desses que apagam pegadas encardidas...

Visita 2

A minha casa tava uma pouco bangunçada e eu ainda não tinha conseguido limpar umas antigas pegadas. Já tinha até usado doce de abóbora como diluente rápido... Mas o meu esforço foi em vão. Um dia desses que a gente não quer sair da cama, escuto a campainha. Ao abrir a porta, fui rendida por um ladrão. Não era um ladrão qualquer. Era um ladrão conhecido. Um bandido que sempre invadia a minha casa quando eu estava carente... Sempre que recebia sua visita, ele roubava a minha esperança, destruía meu ego e rasgava as minhas roupas. Mas mesmo passando por tudo isso, eu abria a minha casa para ele. Carente, esquecia de olhar no olho mágico e quando via, ele tava lá. Às vezes entrava pela janela e me pegava sonolenta... Bagunçava tudo que via pela frente...Nesse dia, ao entrar, ele amarrou as minhas mãos por trás do seu pescoço, beijou a minha boca, começou a roubar o que era de costume até que achou uma caixinha preta. Perguntou o que era aquilo, eu rapidamente disse que era o que eu tinha de mais valioso. Ele sem nenhuma duvida levou a caixinha com ele e seguiu o seu caminho. Mas lá, dentro da caixinha, estava o meu medo da solidão, esse que sempre o chamava para me bagunçar. Agora não há mais medo de ser só. Agora é só ser! Depois desse nosso ultimo roubo, eu desci a minha escada feliz, troquei a fechadura e fui arrumar a casa!

Vazios