domingo, outubro 21, 2007

Prazo de Validade


Sabia que ia ser rápido, afinal você era daqueles amores perecíveis. Tipo orgânico: alto e tesudo. O ultimo pedaço do bolo de chocolate. Esses que devem ser consumidos logo que se abre a embalagem, porque senão vem outra e come. Eu comecei pelas beiradas, lambendo a cobertura com gosto. Devorando aos poucos, sem muita pressa e saboreando tua boca carnuda. Parte por parte, da minha refeição favorita: homens como você. Acho que foram umas 7 ou 8 mordidas em noites espaçadas, ou seja, pouco tempo pra ficar de barriga cheia. Talvez tenha sido esse o meu problema, o meu enorme apetite.Quis te comer aos poucos, um pedaço por dia. Mas o teu prazo de validade era curto. Muito curto. Você gosta de ser devorado por bocas diferentes diariamente, já eu gosto sempre do mesmo prato. Então foi isso, um dia, virei para o lado, e outro gato já tava comendo o meu pedaço de bolo.

Minhas Fugitivas




Sou acostumada a caminhar despercebida por um certo jardim azulado. Ele é um daqueles jardins que são regados pela ambigüidade e pela loucura. Um jardim de Alice, onde tudo pode mudar em segundos. Permeado por subidas e decidas rápidas, e quedas quase instantâneas, eu sigo patinando naquela imensidão. Às vezes me questiono porque esse jardim é assim, tão anil... Talvez seja pelo excesso de lagrimas. Ou pela falta de razão. Por que por mais coloridas que sejam aquelas flores, há sempre um tom azulado que insiste em destoar na minha caminhada? E eu vivo seguindo por esse jardim. Encontro flores bonitas, mas fugitivas, no azul. Elas gostam de rir e acariciar suas pétalas sobre as minhas pernas, enquanto me cantam musicas antigas. Mas basta, eu tentar pegar uma delas em minha mão, pra que rapidamente elas corram pra o outro lado. Quando eu vejo, elas já mudaram de rotas e de visitante. Simples. Quase cotidiano. São as minhas flores fugitivas. Que passam de mão em mão. As vezes tenho raiva, ódio, inveja dessas florzinhas malditas! Tenho vontade de arrancá-las uma vez por todas do meu caminho. Matar uma a uma. Florzinha, por Florzinha. Cometer um Florescídio! Não ia sobrar flor nenhuma no meu jardim! Apenas aquele céu anil que me embebeda. Mas o problema é que eu nasci assim, apaixonada por fugitivas. Sou dada à beleza e a forma efêmera que elas dançam enroscando seus caules com meu corpo cansado. E quando raiva passa, o perfume das flores ficam sobre a minha pele. Elas gostam de envenenar o meu coração. A suavidade presente nas flores são disfarces para mastigar e destruir os visitantes desavisados, como eu. Por isso, em cada nova caminhada pelo o meu jardim azulado, tento tampar o nariz e fechar os olhos, para não perder o foco. É preciso andar na ponta dos pés e fugir das fugitivas. Aprender a conviver com o medo de acabar assim, sem a beleza da primavera.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Um cálice sujo na beira da mesa

Restos de vinhos jogados pelo chão... E eu sobrando no cálice, esperando tua mão. Sei que estou com uma rachadura e com muitas marcas passadas ... Ando assim, desajeitada, calada, encostada na beira da mesa. Olho de mansinho pra baixo, morrendo de vontade de pular. Pular no seu pescoço, te amarrar na minha vida , te deixar sem saida. Eu, um cálice transparente, sujo de vinho tinto no fundo. Estou esquecida na beira da mesa. E você boceja alto, se entrega a um sono profundo e manda uma mensagem qualquer para uma outra mulher. Suja de cíumes na beira da mesa. Sei que pulo não tem volta, que ele só pode ser dado uma vez. Mesmo assim me atiro, e começo a voar devagar. Não para o seu pescoço, pois esse já foi embora à francesa, mas para um chão de tacos imundos. Lá estou eu, em mil pedaços! Laquinhas de vidro pra todo o lado! Quebra-cabeça de mim mesma. Fiz um estrago, um som maravilhoso e agora, apenas espero seus aplausos sobre a minha queda-livre. Quem sabe assim, em forma de mosaico, eu chame a sua atenção? Vai, junta os meus pedaços. Pedaços sujos de vinho e cíume. Tenta me remontar. Ou então, pega uma lasca, a mais afiada, e me leva contigo. Para noites de solidão, você me ter como arma branca nas tuas mãos...

terça-feira, outubro 02, 2007

Choques instantâneos de realidade.

para ler escutando o cd “Outra Estação” do Legião Urbana

Meus choques instantâneos de realidade aparecem de repente, assim, sem mais nem menos. Mesmo sem nenhum convite, eles insistem em bater na minha porta. Às vezes na hora do almoço, no despertar de um sonho bobo ou dentro de uma lona de circo empoeirada. Eles chegam por todos os lados, são seguidores astutos. Costumam se entrelaçar no meio de uma noite suja qualquer, depois de algumas doses a mais ou ervas a menos . E se aproximam devagar, chegam de mansinho, como se fossem bichos que arrastam em direção a minha loucura. Eles tentam sugar o equilíbrio que conquistei as duras penas. Querem se apoderar do meu corpo, beijar a minha boca, fazer amor com a minha razão. Os choques de realidade são muitos, e dão medo. Tento escapar bebendo mais um copo, escorando em alguém que está do lado, dando uma risada sem graça. Tudo desnecessário. Eles continuam querendo entrar. E é logo em mim, que tenho os olhos cansados de ver o real. Ando inebriada na minha loucura, na fuga necessária, na minha incompatibilidade com o mundo. Eu, ser inapto. Desses que anda rindo desesperadamente pelos bares, na corrida por algo efêmero como o amor. Quero sair desse lugar frio, impuro e sujeito a esses choques de realidade. Preciso correr pra longe, um lugar que a vida não é apenas... e sim, poesia amanhecida na beira do lago.
* texto feito em 30.09.07

quinta-feira, setembro 20, 2007

?!

"Desculpe, querida! Mas o AMOR não tem ÉTICA!"

Disse ela, a outra, enquanto esmagava mais um pobre coração de rival...

domingo, setembro 16, 2007

Vênus em Aries


Não gosto de pausas. Nem de três pontos. Ou desse tempo que se busca uma certeza sobre algo que nasce incerto. Eu simplesmente detesto o discurso pronto, revisado e sem nenhum erro de português. Prefiro me deliciar com rimas soltas, poesias sem sentidos e principalmente frases corridas, que nascem sem vírgula ou respiração. Quando você vê, ela já se perdeu pelo mundo... Eu sou acostumada com poemas e amores improvisados, esses que nascem e morrem instantaneamente. Talvez por culpa da minha carência, que insiste em criar vínculos imaginários, ou da minha tendência suicida, que se atira sobre corpos efêmeros na tentativa de torná-los especiais. Se eu me perco, é pra tentar me encontrar. Uma tentativa, um risco e um pulo. Rabisco letras soltas por ai, pra quem sabe um dia, encontrar alguém que ligue as letras, desligue os três pontos e me leia inteira!

quinta-feira, setembro 13, 2007

Enormes Óculos



Uma pausa e a falta de coragem de olhar de frente. Como uma adolescente no meio do furacão, onde as cores se misturam e eu me sinto preta e branca. Passo tardes ansiosas, andando de um lado para outro, de óculos escuros. Os meus óculos são enormes, verdadeiros escondedores de alma. Eles disfarçam as noites mal-dormidas que passo pensando em algo que me torne mais interessante pra você. Um papo-cabeça. Uma tinta nova no cabelo.Uma cara mais blasé. Eu, no meio do furacão, de óculos escuros. Essas lentes que não apenas escondem sentimentos, mas que servem também, para fitar você de rabo de olho. De mansinho, a meia luz e com uma esperança cega. Mas você passa sem graça e não me vê... Esse nosso silêncio que insiste em falar, dizer coisas sem sentidos, enquanto eu suspiro calada. A espera, a sensatez, a calma, todas essas que dançam entre as minhas mãos, enquanto eu sucumbo graças a um maldito Vênus em Áries! Uma vontade louca de te agarrar pelos cabelos e bagunçar a sua vida! E pra completar, ao som do B.B.King, essa lua em libra, que grita urgentemente a necessidade de ter o seu corpo junto ao meu. Eu, uma boba de óculos escuros, no meio desse furacão! E tudo isso apenas, pra tentar conquistar...você!

?!

A minha vida se resume em: Chocolate, Vinho e B.B.King...rs

sexta-feira, setembro 07, 2007

Ton sur Ton




Palavras presas na minha boca, poemas que devem ser escritos, uma confusão de sentidos que pulsam, enquanto escorre sangue entre as minhas pernas e sobre o teu lençol. Ton sur ton. Eu perdida entre tantos vermelhos... Batom, peruca, salto alto e... sangue! Muito sangue pra lavar e benzer o nascimento de algo novo. Algo tão eterno quanto o agora! Algo que não se fala, que se confunde ou se esconde sobre a margem de uma razão caduca e antiquada.Um medo bobo que dá de querer voar e cair de cara no chão. Besteira. Bobagem. Pra que pensar nisso, quando tenho tão perto de mim a loucura que é sentir seus lábios carnudos sobre a minha pele cansada? Mistura de sentidos. Cheiros, gêneros, oposições astrológicas e, sobretudo conjunção de corpos! Não só os celestiais, mas os nossos, esses que se adaptam muito bem, um ao outro! Talvez seja o ascendente em comum ou simplesmente as cores que combinam. Ton sur ton. Tenho vontade de derramar não apenas sangue, mas litros de palavras suspiradas que pingariam gota a gota sobre o teu corpo libriano... Essas minhas palavras bobas, efêmeras, fugazes que correm o mundo atrás de poesias como você.