domingo, agosto 14, 2011

Enfim, o prefácio!

Cinco anos. É a idade do blog entreaberta. Um espaço virtual de construção diária: fantasias quase verídicas, realidade manipulada, compartilhamento com desconhecidos íntimos. É o meu mundinho egoísta. Uma fresta. A minha fresta. Com a porta entreaberta. Entra quem quer. Quem se faz parte necessária. Quem entende o valor do perecível. Aqueles que a encontram em madrugadas frias, que sentem a dor de sábado na frente do computador.

Um blog é frágil. Agrega a covardia também. Basta clicar no botão, e extermino todas as partes. Viro lembrança, página não encontrada. Eu apago a poeta que existia ali. Assumir um livro é outro passo. É estar na prateleira, etiquetada, embalada pra presente. É se por à prova. Tatuar letras permanentes. Imprimir uma parte de si. A parte escolhida. Marcar o tempo que passou. É ser palavra sem prazo de validade. Assumir os erros poéticos. Aceitar o receio do olhar perante a pele marcada. É ter coragem imbuída nas entranhas. Aprovar os seus defeitos na frente do espelho. É assumir um casamento até o fim.

Esse livro é uma soma de textos publicados no blog, de comentários dos leitores, de stencils pintados nas tesourinhas, de cenas e músicas criadas para o espetáculo Poéticas Urbanas. Está tudo misturado nas páginas seguintes. A cidade, o amor líquido e o feminino. São mulheres passageiras de um inferno particular. Poesias transformadas em cenas ocupam as ruas desertas. Aqui, tudo é romance, Brasília é poesia concreta.