quinta-feira, abril 14, 2011

Percepção das atrizes em relação a autora

É difícil ser julgada, analisada. Entender a nossa imagem aos olhos dos outros. Não temos certeza das coisas que realmente passamos com as nossas palavras e ações. Tive a oportunidade de ter a minha obra discutida pelas atrizes da Andaime em uma reunião do Poéticas Urbanas. Eram cinco mulheres discutindo sobre meus textos, enquanto eu permanecia apenas escrevendo sem poder comentar uma frase sequer. O resultado foi esse texto esquizofrênico e interessante. 

Intensidade, sangue e corroer. Tudo é romance. É a forma que ela consegue digerir aquele fato. Ela conceitua tudo. O cafajeste, a menstruação. Ela é explicativa. Isso é uma característica. Muitas vezes é adolescente. São temas adolescentes. Por ser extremista, intenso demais. É atmosfera. A autora começa a desenvolver todos os conceitos. Eu não diria que é um adolescente que está escrevendo pela qualidade dos textos. Há uma maturidade na escrita. Nostalgia de algo que nunca aconteceu. Parece que aconteceu, mas nunca aconteceu. Paraíso perdido. Uma ilusão. É importante traçar um perfil da autora através da obra dela. Já pra mim, é real, crível, verdadeiro. Pela intensidade que ele passa. É preciso ficar em cima desse texto, ele trás grandes características já. O estudo de cada texto escolhido. Temos a vantagem de poder perguntar a ela. Ela justifica a vida dela através da escrita. Não importa se viveu, ou se não viveu. Pra mim, isso não importa. São muitos textos com muitas personagens. Eu acredito que a maioria das estórias ela tenha vivido. Que a criação é do que ela viveu. Eu acho que ela olha pra tudo de um jeito romântico. É infantil? Se ela não viveu, ela é uma puta autora. Se ela viveu, ela apenas quer fazer terapia pela internet. Escrever sobre a vida dela. O autor sempre está na obra, querendo ou não. Se ela viveu porque ela escreve? Será que ela acha que vai mudar o mundo? O que ela deixa pra os leitores? A autora romanceia algo. Que coisas dela me interessam?  Ela foge do que é. Uma revolta burguesa. Acha que o mundo é um caos, quando na verdade é cotidiano. Sofre com um problema que nem existe. Essa figura facebook. Da geração. Que se abre, que quer mostrar a sua intimidade. Muito corajoso. O pai da Paty lê o blog dela? Tá lá. Tá no mundo. É super contemporâneo. Tem um trabalho de pesquisa. Tem um conceito. É um trabalho artístico. Ela tá inserida, ela é contemporânea. Você consegue saber o que ela prefere. Assumir essa data. É uma forma bem particular, que se rasga. Ela se rasga em todos os sentidos. É um personagem, não é a Patrícia. É o corpo virtual. É o avatar. Onde ela se conecta. Eu jamais colocaria uma foto minha nua na internet. Ela se alimenta dos relacionamentos para escrever. Existe uma relação só pela internet, uma relação só pessoal, existe um mix das duas. Tem o anônimo. Esse anônimo é presente a todo momento. Se ele fosse nominado, ele deixaria de ser esse amor, essa poesia. Essa personagem busca esse anônimo, ele não pode aparecer. O anônimo é a hora que ela abre para ele aparecer. O anônimo é presente na estória. Ele só existe porque se identifica com a estória. Se você posta na internet, você está escrevendo para vários anônimos. Se fosse um filme, seria de personagem com peripécias. Eu acho que é um personagem intenso, mas não tão interessante. Já eu vejo várias personagens. Gente, quem nunca teve um pêlo encravado? - E todas  as atrizes começaram a olhar os seus cabelos encravados.

2 comentários:

Anônimo disse...

genial, lirica

Patrícia Del Rey disse...

Obrigada. É um texto escrito por seis mãos femininas. =]

Estava na expectativa de comentários anônimos. Há tempos que não acontecem por aqui...rs

Um beijo doce.