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Quem sou:
Todas e nenhuma.
Dentro de um pote,
fora da validade,
da Avon.
Em cima da estante
vermelha, estilo anos 20,
num filme PB de quinta.




Um espelho embaçado.
O cabelo cresceu, mas a dor continua.
Procura boba. Risada infantil. Esperança quase morta. Meu edredom preto, algumas almofadas vermelhas sobre a cama de casal e um patético coração de pelúcia.
Requícios de quarto solitário.
Uma cama de casal para uma solteira.
Um coração de pelúcia vermelho, com luvas, sapatos e um sorriso irônico. O amor na sua versão brega e ridícula, pronto para ser jogado janela a baixo.
Era um vez uma menina doce. Muito doce. Daquelas que quando a gente vê, derrete. Laços de fita e lentes cor de rosa. Falando assim parece que ela era um fresca. Mas não era. Ela era só doce. Suave. Levava a vida na flauta e ria pelos cantos. Tinha uma pegada leve sobre a areia. Gostava de criar teorias e padrões sob o luar. Era incrivel como ela penteava o mundo enquanto olhava as estrelas. A menina efêmera tinha sabor de bolo de chocolate.Era dessas pessoas que a gente nunca esquece. Sabe, as vezes, ela vem pedalando me encontrar. Nesses dias, o céu combina direitinho as suas cores. Tudo fica com cheiro de brisa. O som invade o mundo. E ela, me arrasta, suave como um beijo, para dentro de mim.