quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Vide a Bula

É recomendado para os fortes. E também para os que precisam perder o medo de altura. Aos que tiveram problemas no coração, mas fizeram a gentileza de esquecê-los num lugar do passado. Para os que gostam de poesia, pipoca e pornografia. Aos católicos, ateus, budistas e evangélicos. Para as virgens, pras putas. Brancos, amarelos, vermelhos, negros e verdes com bolinhas roxas. Aqueles que sofrem da ausência de brisa e excesso de tempestades. Ideal pra qualquer ser humano vivo. Combate a problemas de auto-estima, apatia e frieira. Apagador de mágoas. Criador de sonhos. Remédio infalível em caso de tédio profundo, depressão ou intoxicação por excesso de lágrimas e chocolate em madrugadas frias. Perfeito para a solidão de domingo e festa chata de sábado! Droga muito rara - difícil de ser encontrada. Deve ser dosado ao gosto do paciente: para uns, o vidro todo num gole só. Pra outros, doses mínimas diárias sobre o por do sol. O medicamento reage rápido. Costuma dar uma vontade enorme de andar de mãos dadas, inventar apelidos clichês e fazer programas de índio. Efeito lisérgico sobre o paciente. Cara de Bobo. Faz festejar a vida, programar o futuro e dar risadas aos abismos. Muitas vezes acarreta um estado de insanidade temporária. Felicidade Instantânea. É recomendado que durante o tratamento, dormir abraçado todos os dias e aproveitar cada segundo. Pois não se sabe ao certo, quanto tempo à droga dura - pode ser eterno ou efêmero. É recomendável que o paciente aproveite e sorria. Vai sabe quando você encontra outro frasco desses perdido na farmácia?
domingo, janeiro 27, 2008
Você pode entrar por aqui.
Nesse momento, apenas queria que você entrasse por aqui.Me tirasse da chuva.Ou me levasse para dançar em sua companhia.Queria desvendar o azul dos seus olhos de desconhecido.Seria algo muito simples - suave como brisa - se você entrasse por aqui.Você podia entrar devagar mesmo.Sem pressa.Pelas beiradas.Sem medo algum.Com alguma certeza qualquer.E o vazio no peito necessário para se criar flores raras.Eu apenas queria que você entrasse por aqui.Nem sei direito porque.Se é carência.Curiosidade.Ou simplesmente esperança.
Você por aqui.
Uma corrente de ar tranqüila no meio do meu vendaval.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Mensalmente

Há um vulcão escondido
De onde brota sangue grosso.
Forte, quente e vivo.
Lágrimas de algo que foi morto.
Ele jorra aos montes.
Escorre entre as minhas pernas
Limpando a dor ou o amor antigo.
E muitas vezes, suja o meu vestido.
O sangue se esparrama pelo chão,
Não faz cerimônias ou concessões
Apenas me afoga em seus braços lânguidos.
E reafirma algo que tento esconder.
Não há fruto, não há semente
Nem espera ou desespero
Apenas uma mulher que colore
De vermelho, o banheiro.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
O que resta nesse quarto empoeirado?

Um espelho embaçado.
O cabelo cresceu, mas a dor continua.
Procura boba. Risada infantil. Esperança quase morta. Meu edredom preto, algumas almofadas vermelhas sobre a cama de casal e um patético coração de pelúcia.
Requícios de quarto solitário.
Uma cama de casal para uma solteira.
Um coração de pelúcia vermelho, com luvas, sapatos e um sorriso irônico. O amor na sua versão brega e ridícula, pronto para ser jogado janela a baixo.
domingo, dezembro 16, 2007
Lucy
Era um vez uma menina doce. Muito doce. Daquelas que quando a gente vê, derrete. Laços de fita e lentes cor de rosa. Falando assim parece que ela era um fresca. Mas não era. Ela era só doce. Suave. Levava a vida na flauta e ria pelos cantos. Tinha uma pegada leve sobre a areia. Gostava de criar teorias e padrões sob o luar. Era incrivel como ela penteava o mundo enquanto olhava as estrelas. A menina efêmera tinha sabor de bolo de chocolate.Era dessas pessoas que a gente nunca esquece. Sabe, as vezes, ela vem pedalando me encontrar. Nesses dias, o céu combina direitinho as suas cores. Tudo fica com cheiro de brisa. O som invade o mundo. E ela, me arrasta, suave como um beijo, para dentro de mim.quinta-feira, dezembro 13, 2007
Garranchos Azulados
É melhor escrever - pra passar o tempo e a dor - derramar esse corpo cansado sobre papel. Quem sabe, virar poesia. Escorregar no amor de um novo leitor. Ou apenas se por pronta pra ser amassada e jogada fora com as contas do mês anterior. Um papel com garranchos azulados, escrito as pressas, sem muita importância. E uma música bonita que atrapalha ao fundo. Eu, parada, sem conseguir criar o meu mundo. Sozinha, coberta por algumas palavras sem sentidos. Reflexões bobas para uma quinta. Quarta. Sei lá, uma seqüência de dias que intimamente são os mesmos. Eu, em círculos, como numa trama malfeita de novela. A caneta falha. Opõe-se a transformação de poesia em vida. Ou vice-versa. Incontáveis folhas vão ficando azuis: mistura de lágrimas com a cor vulgar de bic roubada...
terça-feira, dezembro 04, 2007
terça-feira, novembro 13, 2007
Descanso
quarta-feira, outubro 31, 2007
O Gato

O GATO- 2006- [Acetato, nanquim e ponta seca] feito pelo artista O Silva
Lá estava eu, deitada na sua cama: Entreaberta para você.
Fazia poses de 5, 10, 15 minutos... E esperava que teu corpo desenhasse figuras abstratas sobre a minha pele. Ou quem sabe, um gato de nanquim sobre as minhas costas? Um gato desenhado com as suas unhas secas.
Mas a sua cama estava vazia de você... Eu até tentava, com a minha mão esquerda, puxar o que restava de ti: o cheiro, suor, cabelos e as suas segundas intenções. Eu queria ser a tua tela em branco. Você não estava na sua cama.
Você tinha lançado vôo para algum outro dormitório longe dali. Talvez tivesse saído para comprar tintas novas... ou comida para o gato que devia ter sido pintado sobre o meu corpo.
Enquanto isso, a espera dançava em na sua cama. Aquela cama vazia, com o lençol que continuava branco e sem pedaços de você. Eu, deitada, sem os meus desenhos e com uma esperança tola.
Esperança de um dia, virar ponta seca e furar o teu corpo, a tua cama e matar esse gato imaginário que grita nas noites de calor.
Assinar:
Postagens (Atom)
